A curva de juros futuros no Brasil registrou forte queda em todos os vencimentos nesta quarta-feira, com recuos que superaram 10 pontos-base nos vértices intermediários. O movimento de alívio foi impulsionado pela decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de ampliar a recompra de títulos de dívida pública de longo prazo, gerando um efeito positivo no mercado de títulos global, incluindo os Treasuries americanos.
No cenário doméstico, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou o dia em sua mínima de 13,720%, registrando uma leve baixa de 2,5 pontos-base em relação ao fechamento anterior. Já o DI para janeiro de 2029, que representa o médio prazo, apresentou um declínio mais acentuado, caindo 12 pontos-base para 14,195%. O vencimento mais longo, para janeiro de 2036, também cedeu quase 10 pontos-base, fechando a 14,615%.
A principal catalisadora dessa redução de juros foi a iniciativa do governo dos Estados Unidos de intensificar a recompra de seus títulos de longo prazo. Essa medida teve como objetivo mitigar o estresse observado globalmente no mercado de títulos, que recentemente sofreu com uma onda de vendas. Na manhã desta quarta-feira, o Tesouro americano detalhou a ampliação das operações de suporte à liquidez, dobrando o volume de recompra de títulos de cupom nominal com vencimentos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.
A iniciativa do Tesouro estará em vigor entre 9 de setembro e 4 de novembro. O anúncio veio um dia após o rendimento dos títulos de 30 anos nos EUA atingir seu patamar mais alto desde 2007, evidenciando a urgência da intervenção.
Especialistas do mercado interpretaram a ação do Tesouro americano como uma forma de “Operation Twist” e até mesmo um “gesto político”, segundo Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação da Avenue. Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, confirmou o impacto global: “Esse movimento tirou a pressão no mercado de juros nos EUA e ao redor do mundo, inclusive no Brasil”.
A repercussão nos Treasuries foi imediata: o yield do título de dois anos, mais sensível à política monetária, operava em 4,162%, enquanto o retorno do título de 10 anos, uma referência crucial para empréstimos imobiliários e financiamentos, recuava para 4,641%. Adicionalmente, o Departamento do Tesouro leiloou US$ 16 bilhões em T-bonds de 20 anos com rendimento máximo de 5,204%, acima da média recente, e uma taxa bid-to-cover de 2,53 vezes, ligeiramente superior à média.
Paralelamente, o mercado também digeriu a ata da última reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA. Em sua decisão de julho, o Fed optou por manter as taxas de juros inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, embora com a maior dissidência entre seus diretores em uma década.
Na análise do ING, o Comitê adotou um tom “ligeiramente” hawkish, um cenário que já era previsto por parte do mercado, dado os votos de Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari por um aumento de 0,25 ponto percentual. Contudo, James Knightley, economista-chefe internacional do ING, ressaltou em nota que essa ata reflete opiniões anteriores à divulgação de dados mais recentes que indicaram enfraquecimento do mercado de trabalho, inflação controlada e resultados desapontadores nas vendas no varejo e confiança do consumidor.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/curva-de-juros-acompanha-treasuries-e-recua-mais-de-10-pontos-base-nos-vertices-intermediarios-lils/



