O primeiro debate com a presença de todos os principais candidatos ao governo de Goiás, realizado neste domingo (30), foi dominado por um embate direto e virulento entre Marconi Perillo (PSDB) e Daniel Vilela (MDB). Os postulantes trocaram acusações de corrupção e se confrontaram abertamente sobre a polêmica concessão do Estádio Serra Dourada, elevando o tom da campanha eleitoral.
A concessão do Estádio Serra Dourada emergiu como um dos pontos nevrálgicos do debate. Marconi Perillo classificou o processo como uma ‘privatização vergonhosa’ e prometeu sua revogação caso eleito. Em resposta, Daniel Vilela esclareceu que a medida se trata de uma concessão de 30 anos, garantindo um investimento de R$ 500 milhões para a reforma completa do complexo. O atual governador enfatizou a segurança jurídica do modelo, que foi leiloado na Bolsa de Valores, e defendeu que a operação permite a destinação de outros R$ 500 milhões para a aquisição do imóvel que abrigará o novo Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo).
A troca de acusações de corrupção intensificou-se ao longo do debate. Perillo iniciou criticando a gestão fiscal do Estado e apontando um déficit projetado de quase R$ 5 bilhões para 2025, além de acusar o governo de Daniel de patrocinar uma ‘máquina de propaganda nazista’. Ao direcionar-se a Vilela, o tucano afirmou que o governo está ‘recheado de crimes contra a administração pública’. Daniel Vilela rebateu, acusando Marconi de usar sua própria experiência como régua e destacou não responder a nenhum processo de corrupção após 18 anos de vida pública, além de insinuar que o adversário estava ‘nervoso’.
Ainda na pauta da corrupção, Marconi chamou Daniel de ‘leviano’ e insinuou que a compra do hospital para o novo Hugo teria ligação com o crime organizado, reiterando a acusação de corrupção. Vilela, por sua vez, criticou o ‘linguajar chulo’ do tucano e reafirmou sua ficha limpa. Em um contra-ataque, o emedebista questionou Marconi sobre o recebimento de R$ 15 milhões do Banco Master, alegadamente para uma ‘consultoria’. Marconi retrucou, acusando Vilela de envolvimento com o banco e de ter sido citado na planilha da Odebrecht, sugerindo que a influência do governador impediu sua denúncia. Daniel ironizou a acusação, questionando se seria ‘fraco ou poderoso’ e destacando a atuação da Justiça e do Ministério Público em Goiás. O embate chegou a um nível pessoal quando Perillo prometeu divulgar os sigilos bancários de si mesmo, da esposa e da sogra, em uma clara alusão à prisão da sogra de Daniel por um suposto esquema de migração ilegal.
Para além do embate direto, o debate abordou temas cruciais para o Estado. A saúde foi um ponto recorrente, com críticas de Wilder Morais (PL), Luis Cesar Bueno (PT) e Marconi Perillo às extensas filas para cirurgias eletivas. Marconi chegou a prever atrasos nas folhas de pagamento do funcionalismo. Daniel Vilela, por sua vez, foi questionado sobre a taxa do agro, revogada este ano, e assegurou que não criará novos tributos, atribuindo dificuldades de acesso ao crédito para produtores rurais a medidas do governo federal. Na área da saúde, Wilder propôs um ‘SUS Goiano’ com tabela de pagamento superior à do Ministério da Saúde, enquanto Daniel defendeu a nova estrutura do Hugo para reduzir esperas e mencionou parcerias com a iniciativa privada. A Universidade Estadual de Goiás (UEG) também foi tema: Luis Cesar e Marconi se comprometeram a retomar o repasse de 2% da arrecadação líquida, Wilder propôs novos cursos baseados na vocação regional e investimento em cursos técnicos, e Daniel valorizou as Escolas do Futuro, prometendo ampliar o acesso ao ensino técnico.
O clima de beligerância entre Perillo e Vilela persistiu até o final do debate, estendendo-se aos direitos de resposta. Daniel Vilela reiterou a cobrança por explicações sobre os valores recebidos do Banco Master, ao que Marconi Perillo respondeu: ‘Fui trabalhar. Não tenho preguiça como determinadas pessoas em Goiás’.
Fonte original: https://diariodegoias.com.br/marconi-e-daniel-acirram-confronto-sobre-concessao-do-serra-dourada-e-trocam-acusacoes-de-corrupcao/545699/



