Descoberta da Petrobras na Margem Equatorial Impulsiona Ações, Mas Viabilidade Comercial É Desafio de Longo Prazo

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O mercado financeiro reagiu com notável otimismo nesta segunda-feira (17) à notícia da descoberta de hidrocarbonetos pela Petrobras (PETR4; PETR3) em um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, parte da promissora Margem Equatorial brasileira. Contudo, analistas do setor alertam que, apesar do entusiasmo inicial que impulsionou os papéis da estatal, o caminho até a comprovação da viabilidade comercial da área é extenso e complexo.

No início do pregão, por volta das 10h30 (horário de Brasília), as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) registravam alta de 1,33%, enquanto os papéis ordinários (PETR3) avançavam 1,24%. O movimento de valorização se estendeu ao mercado internacional, onde os American Depositary Receipts (ADRs) da companhia também operavam em terreno positivo antes da abertura dos mercados americanos, com PBRa ganhando 1,84% e PBR subindo 1,79%.

A Petrobras divulgou a descoberta na sexta-feira (14), após o fechamento do mercado. A empresa informou ter identificado indícios de hidrocarbonetos no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da Margem Equatorial. A área está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A confirmação dos indícios se deu por meio de perfis elétricos e observações das rochas durante a fase de perfuração.

Apesar da relevância da descoberta, a estatal ressaltou que os trabalhos de avaliação exploratória estão em andamento. A Petrobras destacou que ainda não dispõe de estimativas sobre os volumes recuperáveis nem de confirmação da comercialidade do achado.

Analistas do Bradesco BBI interpretam a identificação de hidrocarbonetos como um marco significativo, com potencial para abrir uma nova fronteira exploratória para o Brasil. O banco sugere que a Margem Equatorial pode, futuramente, complementar a produção do pré-sal e contribuir para mitigar uma eventual queda na produção nacional de petróleo após 2035. No entanto, o BBI enfatiza o estágio inicial da descoberta. Não há informações sobre a composição da acumulação encontrada – se é óleo, gás, condensado ou uma combinação – e características fundamentais para o potencial econômico do reservatório, como produtividade, volumes recuperáveis e qualidade da rocha, ainda precisam ser comprovadas. O banco projeta a necessidade de dois a quatro poços adicionais de avaliação, que podem aumentar para até seis em reservatórios mais complexos. Para o Bradesco BBI, mesmo com a relevância geológica e técnica, a tradução da descoberta em produção comercial ainda está distante, estimando uma possível declaração de comercialidade entre 2029 e 2031, e o primeiro óleo apenas entre 2032 e 2036 em um cenário otimista. Diante deste cenário, a recomendação para as ações PETR4 foi mantida como neutra, com preço-alvo de R$ 53.

A XP, por sua vez, também avaliou a descoberta como um avanço na estratégia da Petrobras de assegurar a reposição de reservas de petróleo e gás no longo prazo. A corretora aponta que o bloco FZA-M-59 integra os esforços da companhia para explorar novas fronteiras e garantir a sustentabilidade da produção futura. A Petrobras detém 100% de participação na área e atua como operadora do ativo, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, realizada em 2013. O plano de negócios da estatal prevê investimentos de aproximadamente US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial, que incluem a perfuração de 15 poços exploratórios na região.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/mercado-reage-a-descoberta-da-petrobras-petr4-na-margem-equatorial-acoes-e-adrs-avancam/