Emendas Parlamentares e Votos: Estudo em Goiás Revela Discrepância na Reeleição de Deputados

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Uma análise detalhada sobre o desempenho eleitoral de deputados federais em Goiás, com foco nos candidatos à reeleição para as próximas eleições, revelou um padrão surpreendente: os parlamentares que alcançaram os maiores aumentos percentuais de votos foram, em grande parte, aqueles que receberam os menores valores em emendas parlamentares pagas durante o mandato. O levantamento, conduzido pelo Diário de Goiás, cruzou dados do Portal da Transparência com os resultados das eleições de 2022, desafiando a percepção comum de que um vasto volume de recursos distribuídos garantiria a permanência no cargo.

Entre os quatro deputados federais goianos que buscaram a reeleição e mais ampliaram sua base eleitoral, três se destacam pelo reduzido montante de emendas. Adriana Accorsi (PT), que foi a segunda mais votada em 4 de outubro, viu sua votação crescer expressivos 83,12%, apesar de ser a segunda parlamentar goiana com menos emendas pagas – superada apenas por Gustavo Gayer (PL), que concorreu ao Senado. Daniel Agrobom (PL) registrou o segundo maior incremento, de 65,66%, figurando como o quarto entre os candidatos à reeleição com menor volume de recursos. Lêda Borges (Republicanos) aumentou seus votos em 35,19% e foi a terceira com menor volume de emendas.

A única exceção a essa tendência foi Magda Mofatto (PL). A parlamentar obteve um crescimento de 60,96% em sua votação e, ao contrário dos demais líderes de ampliação, ocupou a quarta posição entre aqueles com maior valor de emendas pagas. Em contrapartida, Professor Alcides (PSDB), que não conseguiu a reeleição, estava entre os que mais receberam verbas – quase R$ 130 milhões – mas enfrentou uma queda de 31,58% em seus votos. De forma similar, Silvye Alves (UB), recordista de votos em 2022, perdeu 69,24% de seu eleitorado, apesar de ter tido acesso a R$ 103 milhões em emendas, o sexto maior valor entre os que disputaram a reeleição.

A constatação diverge da crença generalizada no mundo político de que a crescente influência do Congresso Nacional sobre o orçamento federal e a distribuição de recursos via emendas parlamentares seria um fator decisivo para a eternização dos mandatos. Embora as emendas sejam consideradas um recurso importante, a análise em Goiás indica que a média dos que mais distribuíram valores não resultou em um retorno eleitoral tão expressivo. José Nelto (UB), que liderou a lista de emendas pagas com R$ 131 milhões, viu sua votação crescer apenas 10%. Flávia Morais (PDT), segunda em volume de emendas com R$ 116 milhões, praticamente manteve a votação de 2022.

Contudo, a pesquisa ressalta que as emendas não são um instrumento desprezível para angariar votos. Dos 17 candidatos eleitos em diferentes esferas, apenas dois – Fred Rodrigues (PL) e Fábio Sousa (PL) – não tiveram à disposição alguma emenda parlamentar. Onze dos 14 candidatos à reeleição federal obtiveram sucesso, assim como três deputados estaduais e um vereador por Goiânia, Major Vitor Hugo (PL), todos com acesso a esse instrumento, ainda que em volumes variados conforme a esfera de atuação.

Fonte original: https://diariodegoias.com.br/deputados-com-menor-valor-de-emendas-pagas-foram-os-que-mais-aumentaram-votacao-em-goias/550463/