Setores dos EUA e Brasil se unem contra novas tarifas em produtos brasileiros; decisão final se aproxima

PUBLICIDADE

Maioria dos participantes, incluindo empresas dos EUA, se manifestou contra sobretaxa que pode encarecer exportações brasileiras.

A pressão para que os Estados Unidos não apliquem novas tarifas sobre produtos brasileiros ganhou força em Washington. Em audiências públicas cruciais, a maioria dos participantes, incluindo representantes de indústrias americanas, manifestou-se contra a medida, que pode encarecer desde rochas naturais a calçados e ferro-gusa. A decisão final, aguardada para 15 de julho, definirá o futuro de parte das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.

O que aconteceu

Em meio a uma investigação do governo americano, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para as audiências. A esmagadora maioria – 63 delas, entre participantes brasileiros e norte-americanos – posicionou-se contra a imposição das taxas. Apenas 15 apoiaram a medida.

Representantes da indústria brasileira, como a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e o Sindicato da Indústria do Ferro em Minas Gerais (Sindifer), destacaram a relevância de seus produtos para o mercado dos EUA.

Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas, defendeu que as rochas brasileiras possuem características únicas e são fundamentais para a indústria americana. Segundo ele, os próprios participantes norte-americanos do setor endossaram essa visão, citando que o Brasil é o principal produtor e detentor da maior diversidade de pedra natural do mundo. Cruz enfatizou a necessidade de uma presença mais ativa de empresas brasileiras no congresso americano para defender seus interesses.

A Abicalçados alertou que os EUA são o principal destino dos calçados brasileiros e que o Brasil se apresenta como uma alternativa viável à produção asiática. Já o Sindifer ressaltou que 60% do ferro-gusa utilizado pela indústria americana vem do Brasil, e a taxação elevaria os custos de produção no país. Ambos os argumentos contaram com o apoio de empresas americanas.

Entenda o caso

As audiências tratam de duas investigações distintas que miram o comércio exterior dos EUA. A mais debatida, encerrada na última terça-feira (7), foca em supostas práticas comerciais desleais do Brasil, como desmatamento ilegal, questões de propriedade intelectual e subsídios a setores como etanol. Esta proposta sugere uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros.

Paralelamente, outra audiência, que termina na quinta-feira, examina medidas contra 60 países que, supostamente, não agem de forma suficiente para impedir a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Para esses casos, a sobretaxa proposta é de 12,5%. A fonte não especifica se o Brasil está entre esses 60 países para a segunda investigação, mas a pauta geral é essa.

Apesar das diferentes motivações, ambas as análises podem impactar fortemente as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Impacto para a população

A eventual aplicação dessas tarifas pode ter consequências diretas para a economia brasileira e, por tabela, para a população. A elevação dos custos de produtos importados do Brasil para os Estados Unidos pode levar a uma queda na demanda, afetando empresas exportadoras e, consequentemente, empregos em setores vitais, como o de rochas naturais, calçados e siderurgia.

Para o consumidor americano, a medida significaria produtos mais caros, já que a substituição de insumos e produtos brasileiros por outros de origens menos competitivas poderia inflacionar os preços. No Brasil, a perda de competitividade das exportações poderia impactar o crescimento econômico e a geração de renda em regiões produtoras.

Com a data de 15 de julho se aproximando, a expectativa cresce sobre a decisão final do governo americano. O resultado definirá se a voz dos setores que defendem a parceria econômica prevalecerá sobre as propostas de taxação que podem alterar significativamente o comércio entre os dois países.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br