Cinco anos depois que a pandemia de Covid-19 atingiu seu ponto mais alto, uma exposição inédita abriu as portas em Brasília com um convite a todos os brasileiros: transformar as duras lembranças daquela época em um momento coletivo de reflexão e reconstrução. A mostra “A Infinita Memória da Pandemia: a história da Covid-19 por todos nós, brasileiros” foi inaugurada nesta terça-feira (26) e quer reviver a história de um jeito diferente, mais humano e próximo.
O evento, com entrada de graça, acontece no Shopping Conjunto Nacional e reúne dez estações que prometem uma experiência imersiva e sensorial. É um mergulho em registros digitais que se transformam em memórias palpáveis, permitindo que as pessoas revivam e compartilhem suas próprias histórias sobre a crise sanitária que mudou o mundo.
Lições e alertas do passado
A abertura contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de familiares de vítimas, pesquisadores e profissionais de saúde. Em seu discurso, o ministro lembrou a importância de fortalecer o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e de retomar a vacinação no país, pontos essenciais para proteger a população de novas ameaças.
Padilha também fez uma crítica à postura de quem minimizou a doença na época. “Estudos mostram que metade das mortes poderia ter sido evitada se o Brasil não tivesse agido de forma irresponsável na oferta de vacinas. Se o negacionismo e o desmonte das políticas públicas não tivessem acontecido, a tragédia teria sido bem menor”, afirmou, reforçando a necessidade de defender a ciência e a vida.
Uma história construída por todos
A exposição é a primeira itinerante desde a reinauguração do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS) e nasce de um grande acervo colaborativo: o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19. Esse projeto foi construído pelo Ministério da Saúde junto com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Unicamp, reunindo experiências de pessoas de todas as regiões e realidades do Brasil.
Com um design interativo e multimídia, a mostra exibe relatos, fotografias, vídeos, cartas, diários e mensagens. Ela monta um mosaico da experiência brasileira, abordando temas como o isolamento, o luto, o papel da ciência, a desinformação, a solidariedade e a memória coletiva. É uma forma de mostrar como as tecnologias digitais foram importantes para guardar essas lembranças.
Memorial permanente e Dia Nacional
A exposição ficará em Brasília, no Shopping Conjunto Nacional, até 28 de junho, com entrada gratuita. Depois, a mostra seguirá viagem para São Paulo, Fortaleza, Manaus e Porto Alegre, antes de se tornar uma parte permanente do CCMS, que fica no Rio de Janeiro. A ideia é garantir que a memória da pandemia seja acessível e discutida em todo o país, inclusive para aqueles que vivem em Goiás e em todo o Centro-Oeste, que também sentiram o peso dessa doença.
Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou recentemente a lei que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, que será celebrado em 12 de março. A data marca o registro da primeira morte pela doença no Brasil e serve para homenagear as mais de 700 mil vidas perdidas.
Em abril, o Ministério da Saúde já havia inaugurado o Memorial da Pandemia no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. O local conta com uma instalação digital com os nomes das vítimas, o monumento “Lembrar para Aprender” e a escultura “Ciranda da Vida”, uma homenagem ao Zé Gotinha, além de um parquinho para crianças focado na importância da vacinação.
O que o Ministério da Saúde tem feito
Desde a pandemia, o Ministério da Saúde tem trabalhado para reverter a queda nas coberturas vacinais e ampliar o acesso à imunização. A pasta também intensificou o combate à desinformação, o que ajudou a recuperar a confiança nas vacinas no país. Em 2023, por exemplo, o Brasil registrou um aumento no número de crianças vacinadas, revertendo uma sequência de quedas e alcançando o melhor resultado dos últimos nove anos.
Essas ações mostram um compromisso contínuo em proteger a saúde pública, usando as lições da Covid-19 para fortalecer o sistema de saúde e garantir que a população, de Goiânia às cidades do interior goiano e de todo o Brasil, esteja mais preparada para futuros desafios.



