O Brasil pode enfrentar um rombo de até R$ 111 bilhões nas contas públicas se o Congresso Nacional aprovar uma série de projetos apelidados de ‘pautas-bomba’. O alerta vem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que fez um apelo aos parlamentares para que a corrida eleitoral não desequilibre a economia do país e afete o bolso de cada cidadão.
São pelo menos nove propostas em tramitação que, juntas, podem gerar um impacto fiscal gigantesco. Para dar uma ideia, esse valor de R$ 111 bilhões equivale a mais de dois anos de investimento do governo federal, segundo Durigan. Um gasto assim, sem fontes claras de receita ou compatibilidade com as leis fiscais, seria um fardo pesado para a população brasileira.
A preocupação da pasta é que a disputa eleitoral leve a demandas de diferentes setores que, embora legítimas, ultrapassem a capacidade do país. "As coisas precisam caber nas forças do país, dentro do orçamento do país", ressaltou o ministro, pedindo responsabilidade.
Caso as negociações com o Congresso não avancem, Durigan não descartou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar as propostas. O ministro tem mantido diálogo com lideranças, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicando que os projetos ainda podem ser alterados.
As propostas que preocupam o governo
A lista de projetos com potencial de impacto financeiro vai desde benefícios para setores específicos até mudanças tributárias que atingem diversos segmentos da sociedade. A Fazenda observa com cautela cada movimento no Legislativo.
Dívida agrícola: risco para o crédito em Goiás
Entre as ‘pautas-bomba’ mais recentes está a renegociação da dívida agrícola, já aprovada em parte. Durigan defendeu que o apoio deve ser direcionado a quem realmente precisa, e não a todo o setor. Para o ministro, a ampliação indiscriminada pode, na verdade, prejudicar os produtores goianos e de outros estados agrícolas, ao restringir o acesso a novos créditos, já que os bancos não são obrigados a oferecer dinheiro com juros limitados.
Outras ‘bombas’ fiscais e o efeito no dia a dia
A lista de propostas com alto impacto financeiro inclui desde o aumento do teto do Simples Nacional — que afeta pequenos negócios em Goiânia e no interior — até a expansão da imunidade tributária para templos religiosos e a criação de benefícios para entidades sem fins lucrativos. Também estão na pauta pisos salariais para várias categorias, que, se aprovados sem a devida compensação, podem pesar nos orçamentos públicos e privados.
A mensagem da Fazenda é clara: o momento exige cautela e responsabilidade para que o Brasil não pague um preço alto por decisões que, tomadas em meio ao fervor eleitoral, desequilibrem a economia e comprometam o futuro de milhões de brasileiros.



