Uma mudança significativa na vida de milhões de trabalhadores brasileiros pode estar a caminho. A Câmara dos Deputados debate nesta semana uma proposta para acabar com a famosa escala 6×1 e diminuir a jornada semanal. Sindicatos e movimentos sociais defendem a alteração, que promete mais tempo livre e qualidade de vida para quem hoje trabalha de segunda a segunda.
Um relatório apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) à comissão especial que analisa o tema sugere o fim da escala 6×1 em até 60 dias. A medida também prevê uma redução gradual da carga horária: de 44 para 42 horas semanais ainda este ano, e para 40 horas após 12 meses.
Luta por mais tempo livre e dignidade
Para Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho, a aprovação do modelo 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso) e das 40 horas semanais seria uma vitória importante. Ele, no entanto, reforça que a luta não para por aí, e o objetivo final é alcançar a jornada de 36 horas por semana, com quatro dias de trabalho.
Valeir Ertle, secretário Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), destaca a importância histórica da luta pelas 40 horas e a urgência em aprovar o fim do 6×1 ainda nesta semana. Ele lembra que a escala 6×1 afeta diretamente categorias como a dos comerciários, que muitas vezes trabalham domingos e feriados, e a mudança traria um alívio enorme para esses profissionais, que poderiam passar mais tempo com suas famílias.
A discussão vai além dos trabalhadores. Roberta Pontes, presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), lembra que a jornada exaustiva dos pais tira tempo de convívio familiar e afeta até o estudo dos filhos. Ela defende que todos merecem mais qualidade de vida, tempo para descansar e se dedicar aos estudos.
Votação na Câmara e resistência no Senado
A comissão especial deve votar a proposta do fim da escala 6×1 já nesta quarta-feira (27). A expectativa é que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) seja apreciada pelo plenário da Câmara dos Deputados ainda nesta semana, antes de seguir para o Senado Federal.
Mas a proposta enfrenta resistência. No Senado, representantes de entidades empresariais, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, já se movimentam para adiar a votação e criticam a redução. Eles alegam que a diminuição da jornada de trabalho poderia gerar aumento nos custos para as empresas e, consequentemente, nos preços de produtos e serviços para o consumidor final.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao ser questionado sobre o assunto, afirmou que a decisão sobre o ritmo da votação e se ela ocorrerá antes das eleições de outubro caberá aos próprios senadores.
Para virar lei, a PEC que prevê o fim da escala 6×1 precisa ser aprovada por dois terços dos deputados em dois turnos de votação na Câmara. Depois, o mesmo rito se repete no Senado Federal, onde também será necessário o apoio de dois terços dos senadores.



