França domina Copa e levanta debate: é a melhor seleção ou a euforia tem prazo de validade?

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A seleção francesa avança na Copa do Mundo de 2026 com uma campanha avassaladora, consolidando-se como a grande força a ser batida. No entanto, o histórico recente no futebol de clubes serve como um alerta: o sucesso, por mais brilhante que seja, pode ser efêmero, levantando a questão se a atual geração francesa é, de fato, a melhor de todos os tempos ou apenas ‘da última semana’.

Com seis vitórias em seis jogos, 16 gols marcados e apenas dois sofridos, a França não só garantiu sua vaga nas semifinais do Mundial de 2026, mas também demonstrou um futebol avassalador. Liderados por um quarteto ofensivo que inclui Doué, Olise, Dembélé e o artilheiro Kylian Mbappé, os Bleus parecem jogar em perfeita sincronia, superando adversários com notável facilidade.

O que aconteceu

A mais recente demonstração de poder veio contra Marrocos, em uma partida disputada sob forte calor. Apesar de um primeiro tempo sem gols e um pênalti desperdiçado, a França dominou completamente as ações, com 13 finalizações a uma nos 45 minutos iniciais. No segundo tempo, a genialidade de Mbappé e Dembélé bastou para selar a vitória em menos de dez minutos, confirmando a superioridade francesa.

Mesmo diante da campanha espetacular, o craque Mbappé adota um tom cauteloso. Questionado sobre se essa seria a melhor geração francesa da história, ele respondeu: “Não, não é a mais forte. Eu já fui campeão do mundo e já fui vice-campeão do mundo. Esta equipe não é nem campeã nem vice-campeã do mundo”. O atacante, contudo, reconheceu o potencial: “É a que tem o maior potencial, aquela com a qual podemos nos projetar mais facilmente, onde há muita qualidade. Ela permite sonhar, é claro. Mas a mais forte… eu sempre disse que as equipes fortes são as que ganham”. O técnico Didier Deschamps, por sua vez, celebrou: “Vencemos mais um adversário, vimos o que somos capazes de fazer”.

Segundo dados do site de estatísticas Sofascore, a equipe francesa foi a que mais criou grandes chances no torneio, com 27 oportunidades claras de gol, reforçando a percepção de sua ofensividade implacável.

Entenda o caso

A França chega a esta semifinal de 2026 ostentando um legado recente impressionante, com um título mundial em 2018 e o vice-campeonato em 2022. Esta campanha é vista como a ‘última dança’ para o técnico Didier Deschamps, que deve deixar o comando da seleção após o torneio para ser sucedido por Zinedine Zidane. Caso vençam os dois próximos jogos, os Bleus podem se tornar a seleção com a campanha mais avassaladora da história das Copas, superando as sete vitórias do Brasil de 2002.

No entanto, a história do futebol é pródiga em exemplos de invencibilidade que não resistiram ao teste do tempo. O próprio Paris Saint-Germain (PSG), um ano antes, em julho de 2025, vivia um auge similar no cenário de clubes, após vencer uma Champions League inédita e o primeiro Super Mundial. Naquele momento, o time era visto como imbatível, mas sucumbiu na final do Super Mundial para o Chelsea, em uma virada surpreendente.

Apesar da atual forma, a seleção francesa também coleciona reveses recentes que servem de alerta. Nos últimos anos, foi superada pela Espanha nas semifinais da Euro 2024 e da Nations League. Além disso, durante a preparação para este Mundial, os Bleus sofreram uma derrota por 2 a 1 de virada para a Costa do Marfim em um amistoso. Esses episódios lembram que, por mais talentoso que seja um elenco — a França, inclusive, tem no banco nomes que seriam titulares em outras seleções, como Barcola, Cherki e Thuram —, a vulnerabilidade é uma constante no esporte.

Impacto para o futebol

A performance da França na Copa do Mundo de 2026 injeta uma dose de entusiasmo e apreensão no universo do futebol. Para os torcedores franceses, há o sonho de mais um título e a consagração de uma geração excepcional. Para os rivais, o desafio de encontrar uma estratégia para frear uma equipe que, neste momento, parece imparável. O debate sobre a ‘melhor seleção de todos os tempos’ ganha fôlego, mas também reacende a reflexão sobre a efemeridade do topo no esporte, onde a glória de hoje pode ser a lembrança de amanhã, e a ‘invencibilidade’ é um status que se comprova a cada jogo.

Até a decisão da Copa, a França será o centro das atenções, apontada por muitos como o time a ser batido e, talvez, a melhor seleção vista nos últimos tempos. Resta saber se essa percepção se manterá até a semana seguinte, ou se a história reservará mais uma reviravolta para lembrar que, no futebol, nada é garantido.

Fonte: https://placar.com