A saúde pública em Goiás pode receber um fôlego extra de R$ 385 milhões. O governo estadual está em negociações diretas com o Ministério da Saúde em Brasília para recompor o teto de recursos destinados a procedimentos de média e alta complexidade (MAC). A verba, se confirmada, é vista como crucial para aliviar a sobrecarga financeira do estado, que hoje banca grande parte dos serviços, e pode dar um respiro ao Complexo Oncológico de Referência (Cora), unidade vital para pacientes com câncer em todo o Centro-Oeste.
O secretário de Saúde de Goiás, Rasível dos Santos, esteve em Brasília na semana passada e protocolou o pedido pessoalmente ao ministro Alexandre Padilha. Em conversa com jornalistas, Rasível destacou a importância de ter esse reforço. "Estamos aguardando o retorno do ministro para que a gente possa ter esse recurso para ser investido e aplicado aqui na saúde goiana", afirmou ele, ressaltando o impacto direto nos hospitais e no atendimento à população.
Não é a primeira vez que Goiás busca essa recomposição. O estado já havia solicitado R$ 500 milhões, mas recebeu apenas R$ 114 milhões. A diferença, segundo o secretário, mostra a necessidade urgente de complementar os valores, especialmente porque Goiás optou por ser um grande prestador de serviços na saúde. Isso significa que o governo estadual não apenas repassa verbas aos municípios, mas arca com a maior parte dos custos de atendimentos complexos, sobrecarregando o orçamento.
Déficit no Cora e a importância da verba
Um dos principais beneficiados com a chegada desses recursos seria o Complexo Oncológico de Referência de Goiás (Cora), um hospital vital para pacientes com câncer em todo o estado. Rasível explicou que, dos R$ 19 milhões anuais destinados à oncologia via teto MAC, o estado aplica cerca de R$ 6,8 milhões por mês no Cora. Essa conta não fecha e o déficit acumulado precisa ser coberto para garantir o funcionamento pleno e a expansão do atendimento a milhares de pacientes goianos.
Relação mais flexível com Brasília
A negociação por esses valores extras ganha força em um momento de maior alinhamento entre os governos estadual e federal. A ascensão de Daniel Vilela (MDB) ao governo de Goiás parece ter aberto portas para um diálogo mais flexível com Brasília, algo que não ocorria na gestão anterior. No ano passado, por exemplo, o então governador Ronaldo Caiado (PSD) chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a União, cobrando mais transparência nos critérios de repasse do SUS e a recomposição de perdas estimadas em mais de R$ 1,2 bilhão.
Como um sinal dessa atenção renovada, o Ministério da Saúde já cumpriu uma série de agendas em Goiás nesta sexta-feira (12), com foco em fortalecer a rede do SUS no interior e na capital. As ações incluíram a inauguração de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a liberação de recursos para novas obras e a retomada de projetos paralisados através do programa Novo PAC Saúde.
A programação começou com a inauguração de uma UBS em Cocalzinho de Goiás. Em Goiânia, foram emitidas ordens de serviço para a construção de novas obras e a retomada de outras 14 em todo o estado, além da entrega de vouchers para seis kits de equipamentos cirúrgicos. Cidades como Santa Bárbara de Goiás e Britânia também receberam novas UBSs, mostrando que a pauta da saúde em Goiás está em destaque na agenda federal. Esses movimentos indicam que as demandas da saúde goiana estão sendo ouvidas em Brasília, e a expectativa é que a recomposição do teto MAC possa trazer um alívio concreto para o sistema, garantindo um atendimento de qualidade para milhões de goianos.
Fonte: https://diariodegoias.com.br



