Após enfrentar perdas familiares significativas, a produtora rural Gracita Basso, do Distrito Federal, encontrou no trabalho a resiliência para não apenas manter, mas expandir sua operação avícola e agrícola. Com o negócio consolidado, ela agora vislumbra a sucessão, preparando o filho Renato para dar continuidade ao legado familiar, em um exemplo de superação e gestão no agronegócio.
A trajetória de Gracita Basso com a terra começou na infância, em Espumoso (RS), onde acompanhava o pai nas lides do campo, preferindo as atividades externas às domésticas. Ainda adolescente, aos 15 anos, em 1989, ela se mudou para o Distrito Federal, acompanhando os irmãos e, posteriormente, os pais. Foi na nova região que a avicultura se tornou a espinha dorsal do negócio da família, uma novidade em relação às práticas no sul do país.
Para Gracita, a produção de frangos transcendeu o aspecto comercial. Ela descreve a satisfação de acompanhar o ciclo de vida dos animais, desde a chegada dos pintinhos “bonitinhos e delicados” até vê-los nas gôndolas dos supermercados como alimento, evidenciando uma profunda conexão com o processo produtivo.
No entanto, a jornada não foi isenta de desafios. Em 2010, perdas familiares drásticas obrigaram Gracita a assumir integralmente a gestão da propriedade. Sem um manual, a aprendizagem se deu na prática, no dia a dia, em campos de demonstração e, principalmente, na troca de experiências com a equipe. Nesse período, o trabalho se transformou em refúgio, uma forma de enfrentar o luto e encontrar forças para seguir em frente. Em 2021, novas perdas reiteraram o papel do trabalho como suporte emocional para a família.
A gestão do agronegócio, para Gracita, exige constante atualização e decisões rápidas. Ela relata que a rotina é imprevisível, com “um desafio novo a cada dia”, o que a levou até a manter um caderno ao lado da cama para anotar preocupações noturnas. Com margens de lucro apertadas e custos de produção elevados, não há espaço para erros. “Tem que dar um tiro certeiro”, afirma, ressaltando a necessidade de precisão em cada passo, desde o manejo e a legislação até a administração e as finanças.
Na granja, o cuidado com os pintinhos é primordial, tratados como “bebês” que exigem temperatura, ventilação e manejo adequados. Gracita divide a atenção entre a agricultura e a avicultura, monitorando de perto indicadores como mortalidade e desempenho dos lotes. A propriedade emprega dez funcionários, quatro dedicados à granja, e a produtora valoriza a gestão compartilhada, buscando entender a perspectiva de sua equipe antes de tomar decisões. Ela enfatiza que o aprendizado é contínuo e mútuo, com cada membro da equipe contribuindo para o conhecimento coletivo.
A modernização tecnológica é uma constante nos aviários, que utilizam sistemas avançados de ventilação, vedação e placas evaporativas para controlar fatores ambientais essenciais como qualidade do ar, umidade e temperatura. O envolvimento direto de Gracita na operação e sua atenção aos resultados a mantêm entre os melhores desempenhos nas avaliações técnicas da atividade, confirmando sua expertise e dedicação.
Com a experiência consolidada e o negócio prosperando, um novo capítulo se inicia: o filho, Renato, demonstra interesse em assumir a sucessão. Esse movimento garante a continuidade do legado familiar, projetando o empreendimento de Gracita Basso para uma nova geração no agronegócio.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/aves-e-suinos/apos-superar-luto-produtora-amplia-granja-e-prepara-filho-para-sucessao/


