Greve na Educação de Goiânia: Prefeito Acusa Politização, Sindicato Refuta e Detalha Pautas

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A rede municipal de ensino de Goiânia enfrenta uma paralisação de professores e administrativos, gerando um embate acalorado entre a administração municipal e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). O prefeito Sandro Mabel (UB) atribuiu o movimento grevista a interesses político-eleitorais, enquanto o sindicato mantém que a greve, já em seu sétimo dia, é uma resposta direta à ausência de avanços concretos nas negociações de uma série de reivindicações da categoria.

O Confronto: Acusação de Politização vs. Reivindicações Ignoradas

Em declaração durante um evento no Paço Municipal, o prefeito Sandro Mabel categorizou a greve como um "gesto político eleitoral", sugerindo que o movimento é orquestrado pela proximidade das eleições. Ele foi enfático ao afirmar que "não há nada para reclamar da educação" na cidade, minimizando as insatisfações que levaram à paralisação e acusando os grevistas de servirem como "massa de manobra" para agendas políticas.

Em contrapartida, o Sintego divulgou uma nota refutando veementemente a posição do prefeito. A entidade sindical asseverou que a paralisação é um resultado direto da estagnação nas tratativas com a gestão municipal, destacando a falta de propostas efetivas para as demandas dos trabalhadores. Para o sindicato, a greve não tem caráter político, mas sim reivindicatório, buscando soluções para problemas que persistem na educação municipal.

Responsabilidade Fiscal e o Legado da Gestão Anterior

Sandro Mabel justificou a incapacidade de atender às reivindicações atuais citando a responsabilidade fiscal e a herança de uma alta taxa de comprometimento da folha de pagamento. Segundo ele, a prefeitura foi recebida com quase 52% de seu orçamento comprometido com a folha, o que limita o "espaço fiscal" para novas despesas. O prefeito indicou que o foco está em reorganizar as finanças e melhorar a arrecadação para, posteriormente, poder atender às demandas.

Para ilustrar o cenário financeiro desafiador, Mabel mencionou um déficit de quase R$ 500 milhões deixado pela gestão anterior no último ano, cujas contas, segundo ele, a atual administração precisa honrar. A expectativa é que, com a reorganização do fluxo financeiro, a situação se estabilize, permitindo que os pagamentos e reajustes sejam feitos em dia a partir de 2025.

As Pautas da Greve: Além do Reajuste Salarial

Embora o reajuste de 5,4% no piso do magistério tenha sido aprovado pela Câmara Municipal de Goiânia, com efeito retroativo a 1º de maio, o Sintego ressalta que essa medida não encerra a pauta da greve. O sindicato criticou o atraso de cinco meses na aprovação do reajuste e a ausência de pagamento retroativo para períodos anteriores, além de enfatizar que a paralisação abrange um conjunto muito mais amplo de demandas.

Entre as principais reivindicações da categoria estão a reformulação do plano de carreira para os servidores administrativos da Educação, a concessão de progressões, a aplicação das leis do Descongela (Lei nº 226/26) e do Enquadramento (Lei nº 15.326/26), a convocação de concursados aprovados e o combate à sobrecarga de trabalho. Esta última é agravada pela superlotação das salas de aula e pelo uso excessivo de plataformas pedagógicas, gerando uma pressão adicional sobre os profissionais.

Atrasos em Pagamentos e Perspectivas de Normalização

O prefeito Mabel admitiu que o pagamento da data-base e de outros repasses da educação estão ocorrendo com atraso neste ano. Ele explicou que a data-base, que deveria ser paga em maio, será repassada em agosto, e o repasse da educação, previsto para janeiro, ocorreu em maio. Contudo, Mabel prometeu que, a partir do próximo ano, os pagamentos da data-base e os repasses educacionais serão efetuados dentro dos respectivos meses de referência, em janeiro e maio.

Apesar do impasse e das declarações firmes, o Sintego reiterou que permanece aberto ao diálogo. No entanto, o sindicato condiciona a interrupção da greve à apresentação de propostas "concretas" por parte da prefeitura, que possam ser analisadas e deliberadas em assembleia pela categoria, sinalizando que a mobilização continuará até que haja avanços significativos nas negociações.

O cenário na educação municipal de Goiânia permanece tensionado, com a greve persistindo diante da divergência entre a prefeitura, que aponta questões fiscais e políticas, e o sindicato, que exige soluções para demandas trabalhistas fundamentais. A resolução do impasse dependerá da capacidade das partes em encontrar um terreno comum para a negociação, garantindo a valorização dos profissionais e a continuidade do serviço educacional na capital goiana.

Fonte: https://diariodegoias.com.br