Greve ameaça transporte público de Anápolis a qualquer momento

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A população de Anápolis vive novamente sob a ameaça de paralisação do transporte público. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sittra) alertou que a greve pode ocorrer a qualquer momento, após a empresa Urban não apresentar uma contraproposta aos pedidos dos funcionários até o dia 1º de junho, data-base da categoria.

O presidente do Sittra, Adair Rodrigues, reforçou que o movimento não é um desejo, mas uma necessidade diante da falta de acordo. "O trabalhador não quer parar, não há intenção de parar. Mas se não tem outro recurso, tem que parar, não tem outra solução", afirmou. A entidade sindical expressou preocupação com a ausência de avanços nas negociações, lembrando impasses de anos anteriores.

As reivindicações dos trabalhadores, enviadas em 26 de abril, incluem um reajuste salarial de 10%. Além disso, pedem um aumento de 15% no tíquete-alimentação, com pagamento integral dele durante as férias. Outros pontos da pauta são um abono de férias de cinco dias como premiação para quem não faltar ao serviço durante o ano, um auxílio-natalino e a criação de um auxílio-deslocamento de R$ 200 mensais para quem trabalha na madrugada.

Mesmo com o diálogo aberto na última semana com a Agência Reguladora do Município (ARM), órgão que fiscaliza o contrato da Urban, as tratativas seguem sem avanço. O sindicato avisou que, se não houver manifestação concreta da concessionária, uma assembleia da categoria pode ser convocada a qualquer momento para decidir os próximos passos.

A Urban, por sua vez, afirma que aguarda "definições administrativas e outras questões que envolvem o cenário operacional do serviço" para avançar nas negociações.

Memória de greves e apoio do governo

O fantasma de paralisações passadas assombra Anápolis. No ano passado, o transporte coletivo chegou a ter uma greve de um dia, em 30 de junho, que foi resolvida apenas com a intermediação do Tribunal Regional do Trabalho de Goiás (TRT-GO). Naquela ocasião, a prefeitura de Anápolis teve que entrar com uma contrapartida financeira para arcar com o reajuste determinado.

A fragilidade financeira do sistema de transporte ainda é um problema, e a empresa depende de negociações com a prefeitura e o governo do estado para definir até onde pode ceder aos pedidos dos trabalhadores. O governo de Goiás ainda discute a melhor forma de apoiar o sistema, mas já garantiu que vai ajudar.

O governador Daniel Vilela (MDB) mencionou a possibilidade de isentar o ICMS que incide sobre o óleo diesel para a operação e espera um plano de investimentos da empresa para concretizar os aportes. O município também busca o pagamento integral do Passe Livre Estudantil. Essas medidas são fundamentais para que o impasse seja resolvido sem prejudicar os milhares de passageiros que dependem diariamente dos ônibus em Anápolis.

Fonte: https://anapolisdiario.com.br