O setor de biocombustíveis e transição energética no Brasil consolidou um volume expressivo de R$ 289 bilhões em investimentos já registrados em projetos no país. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (2) em São Paulo, durante painel promovido pela consultoria Datagro, que destacou o crescente potencial da matriz energética nacional em um evento sobre o futuro da agroindústria.
A robusta cifra reflete um cenário de crescente demanda global por energia e a abertura de novos mercados focados em combustíveis de baixa intensidade de carbono. Segundo o deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde, o Brasil se posiciona de forma privilegiada para integrar duas de suas principais vocações econômicas: a produção de alimentos e a geração de energia. Ele enfatizou que os biocombustíveis transcenderam o papel de mera alternativa aos fósseis, configurando-se como um pilar de industrialização para o país.
Jardim também ressaltou a significativa expansão do etanol de milho, cuja produção atualmente consome cerca de 23% do milho brasileiro, e a integração de seus coprodutos na cadeia de proteínas animais. Para o parlamentar, este avanço representa mais do que a utilização de um insumo; é um fator decisivo na criação de valor para a economia nacional.
A abrangência dos biocombustíveis vai além dos veículos leves, conforme Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil, que também participou do evento da Datagro. Ele apontou para as amplas possibilidades de aplicação, que incluem o Combustível Sustentável de Aviação (SAF), transporte marítimo, máquinas agrícolas, além de biogás e biometano, reforçando o papel do etanol tradicional. Campos atribuiu essa evolução às políticas públicas, como o programa RenovaBio, que capacitaram o setor a quantificar e expandir a contagem de carbono em seus processos.
Exemplificando a busca por novas fronteiras, Campos mencionou o primeiro carregamento de um navio de longo curso com uma mistura de etanol, realizado em julho, sinalizando o potencial do Brasil em ofertar soluções de descarbonização para a navegação global. O biometano também ganha terreno, sendo empregado em operações da própria cadeia sucroenergética, como no transporte de açúcar e cana, e no maquinário agrícola. O executivo ainda destacou a impressionante evolução do etanol de milho, que, de uma presença quase nula há uma década, hoje representa 30% da produção total de etanol no Brasil, impulsionando investimentos e desenvolvimento no Centro-Oeste e Sul do país.
Contribuindo para o debate, Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), ponderou que a transição energética global deve ser vista como uma evolução, não uma substituição abrupta de fontes. Ele previu um aumento considerável no consumo mundial de energia nas próximas décadas, tornando imperativo que todas as fontes participem da matriz energética. Nesse contexto, a capacidade do Brasil de produzir simultaneamente alimentos e energia, combinando diferentes tecnologias para reduzir emissões, é um diferencial estratégico.
O presidente da Datagro, Plínio Nastari, complementou, sublinhando que o Brasil desenvolveu, ao longo dos anos, mecanismos robustos para mensurar a intensidade de carbono dos combustíveis, integrando-os às estratégias de mercado, com destaque para a evolução do RenovaBio e dos CBIOs. O setor, contudo, enfrenta o desafio de harmonizar o crescimento da oferta com a contínua abertura de novos mercados. Embora haja a perspectiva de pressão de oferta no curto prazo, Campos vislumbra que a demanda potencial em segmentos como aviação e transporte marítimo pode redefinir esse cenário futuro.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/agricultura/biocombustiveis-ja-somam-r-289-bilhoes-em-investimentos-registrados-no-brasil/



