Os juros futuros no Brasil registraram uma alta nesta segunda-feira, espelhando a valorização dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) e o recrudescimento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. Os investidores ajustaram suas posições em um dia marcado pela expectativa de importantes divulgações de inflação e decisões de política monetária, tanto no cenário doméstico quanto internacional.
A sessão viu o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrar o dia praticamente estável em 13,740%. No entanto, os contratos de prazos mais longos demonstraram movimento ascendente: a taxa do DI para janeiro de 2029 subiu 6 pontos-base, fechando em 14,100%, enquanto o DI para janeiro de 2036 avançou 11 pontos-base, atingindo 14,515%.
No cenário internacional, os rendimentos dos Treasuries também operaram em alta. O título de dois anos, mais sensível às expectativas de juros, marcou 4,243%, e o de dez anos, balizador para diversas linhas de crédito, alcançou 4,709%. Esse movimento externo foi impulsionado, em parte, pelo aumento dos preços do petróleo em decorrência das tensões no Estreito de Ormuz, conforme observado por Lais Costa, analista da Empiricus Research: “Os mercados de juros e moedas globais estão reagindo principalmente à esticada dos preços de petróleo, na ausência de indicadores relevantes na agenda macroeconômica.”
No Brasil, o foco dos mercados recai sobre a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que promoveu um corte na taxa Selic para 14% ao ano, e sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho. Ambos os documentos serão divulgados nesta terça-feira (11) e são cruciais para balizar as projeções de novos cortes na Selic na próxima reunião do comitê.
O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, indicou uma nova redução na expectativa de inflação para dezembro deste ano, de 5,03% para 5,02%, a sexta semana consecutiva de queda. As projeções para a Selic foram mantidas em 13,75% e para o câmbio em R$ 5,20.
Nos Estados Unidos, a semana será marcada pela divulgação dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), na quarta e quinta-feira, respectivamente. Esses dados serão fundamentais para confirmar ou reverter o alívio nas apostas sobre a manutenção dos juros pelo Federal Reserve, após um relatório de empregos (payroll) mais fraco em julho. Próximo ao fechamento, a ferramenta FedWatch do CME Group apontava 51,7% de chance de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual na próxima decisão, contra 44,4% na última sexta-feira.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/juros-futuros-10-8-26-lils/



