O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York para uma intensa agenda diplomática que culminará com seu tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 22 de setembro. Antecedendo sua fala aos líderes mundiais, o mandatário brasileiro dedicou a segunda-feira, 21 de setembro, a uma série de encontros bilaterais estratégicos.
A jornada presidencial teve início com uma recepção na residência oficial ao Presidente da República Oriental do Uruguai, Yamandú Orsi, por volta das 11h30 (horário de Brasília). Em seguida, Lula teve uma audiência com o Prefeito da Cidade de Nova York, Zohran Mamdani, membro do Partido Democrata. O dia de compromissos se encerrou no fim da tarde com um encontro com o Senador Bernie Sanders, também ligado ao bloco democrata dos Estados Unidos.
Mantendo uma tradição diplomática que já se estende por sete décadas, o Brasil será novamente o primeiro país a discursar no debate geral da Assembleia, marcando a 11ª participação de Lula. Em sua fala, espera-se que o Presidente reforce a importância do multilateralismo como ferramenta para enfrentar os conflitos globais e defenda a negociação pacífica para a resolução de disputas. Ele também deve reiterar o respeito ao direito internacional humanitário, a não interferência em assuntos internos de outras nações e apresentar a visão brasileira sobre a reforma das Nações Unidas e, especificamente, do Conselho de Segurança, entre outros temas.
Após a abertura da Assembleia, Lula tem agendado um encontro bilateral com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres. Este será o último ano de Guterres em uma Semana de Alto Nível, pois seu segundo mandato se encerra. O Itamaraty, por sua vez, não confirmou um possível encontro entre Lula e o atual presidente dos Estados Unidos. Contudo, o ex-presidente norte-americano Donald Trump está previsto para ser o segundo a discursar, o que pode gerar um cruzamento nos bastidores do plenário. No ano anterior, os dois tiveram um breve contato, ocasião em que Trump mencionou uma “química excelente” entre eles. Após seus compromissos, o presidente brasileiro retornará ao Brasil.
Além da agenda presidencial, a delegação brasileira em Nova York participa ativamente de uma extensa gama de reuniões de alto nível. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cumpre uma intensa pauta, incluindo encontros com ministros estrangeiros e participação em blocos como o BRICS, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBSA) e o Grupo dos 77 e China, a maior coalizão de países em desenvolvimento.
O Brasil também assume papel de anfitrião em diversos painéis e iniciativas, promovendo reuniões do Painel Internacional de Desigualdades, da Aliança Global contra a Fome e da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, esta última sob a presidência brasileira pelos próximos três anos.
Acompanham a comitiva ministerial outros membros do gabinete, como os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luiz Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros (Igualdade Racial), reforçando a amplitude da representação brasileira. O debate geral da Assembleia da ONU seguirá até o dia 28 de setembro.


