O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra as recentes medidas dos Estados Unidos que afetam o Brasil, afirmando que o país “não é republiqueta insignificante”. As declarações contundentes foram feitas em Brasília, durante a abertura da segunda reunião ministerial do ano, onde Lula adiantou que enviará uma nova carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, e confirmou sua presença na reunião do G7, em junho, na França.
Lula expressou surpresa com a possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, especialmente após um encontro com Trump que o havia deixado confiante em uma nova fase na relação entre os dois países. Para o presidente, o Brasil é grande demais para aceitar o tratamento recebido.
Ele defendeu o fortalecimento da democracia e do multilateralismo, posicionando o Brasil como uma nação com muita história e importância no cenário global. A crítica se estendeu a indivíduos que, sem serem nomeados, teriam incentivado as ações do governo americano. Segundo Lula, pedir punição ao próprio país por motivações políticas é uma “grosseria” que, em outro contexto, seria chamada de “traição da pátria”.
Diante do impasse, o presidente deixou claro que o Brasil não vai “ficar chorando”. Ele enfatizou a autonomia do país para buscar outros parceiros comerciais e investidores, caso os Estados Unidos não demonstrem interesse. “O Brasil é dono do seu nariz”, sentenciou.
Apesar de inicialmente não planejar participar do G7, Lula reconsiderou e confirmou sua ida ao evento. Ele justificou a mudança como uma necessidade de “colocar ordem na casa” e defender o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da ONU, em um momento que percebe como de “desmonte” dessas instituições.
A reunião ministerial, que serviu para alinhar o discurso e as ações do governo, também teve como foco preparar o terreno para o defeso eleitoral, que começa em 3 de julho. Lula pediu aos ministros celeridade na entrega de projetos já anunciados, pois a partir dessa data ele não poderá participar de inaugurações e outras iniciativas governamentais.
Após a fala presidencial, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou um balanço das políticas públicas nas áreas de Educação, Infraestrutura, Saúde e Meio Ambiente. A ministra destacou a queda no desmatamento, o terceiro menor desde 1988, um ponto que os EUA teriam usado como argumento para as sanções.



