Wall Street operou em baixa significativa nesta sexta-feira, 4 de setembro, reagindo a um relatório de empregos referente a agosto que superou amplamente as expectativas do mercado. Os dados robustos do payroll alimentaram as especulações de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, poderá elevar as taxas de juros já na reunião de setembro, endurecendo a política monetária para controlar a inflação.
O relatório, divulgado pelo U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), revelou a criação de 162 mil novas vagas de emprego na economia americana em agosto. O número surpreendeu os economistas, que projetavam uma abertura de apenas 55 mil postos. Apesar do forte crescimento do emprego, a taxa de desemprego manteve-se estável em 4,1%, indicando um mercado de trabalho aquecido.
A resposta do mercado foi imediata. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, registraram alta, refletindo a antecipação de um cenário de juros mais elevados. Por volta das 11h20 (horário de Brasília), os principais índices acionários apresentavam as seguintes quedas:
- Dow Jones: -0,52%, aos 53.407,55 pontos;
- S&P 500: -0,27%, aos 7.726,73 pontos;
- Nasdaq: -0,10%, aos 26.558,76 pontos.
A percepção de que o Fed adotará uma postura mais rígida ganhou força. De acordo com o Fed Watch do CME Group, a probabilidade de um aumento na taxa de juros na próxima reunião do banco central americano saltou de 50,4% para 60,4% após a divulgação do payroll. Essa perspectiva de uma política monetária mais apertada pressionou os índices mais tradicionais, como o Dow Jones e o S&P 500.
No entanto, o Nasdaq conseguiu limitar suas perdas, impulsionado pelo bom desempenho do setor de tecnologia. Ações ligadas à inteligência artificial e a centros de dados, como a Nvidia, contribuíram para atenuar o recuo do índice focado em tecnologia.
Em meio ao cenário de incertezas econômicas e políticas monetárias, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se. Ele afirmou que, caso o Federal Reserve não reduza as taxas de juros, ele interromperá o comércio com países que apresentam déficit para os EUA. Em uma publicação nas redes sociais, Trump criticou a taxa de juros elevada, argumentando que ela coloca os Estados Unidos em uma “desvantagem muito injusta” e que ele não permitirá que isso aconteça.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/wall-street-4-9-26-apsa/



