O mercado de soja no Brasil registrou uma semana de pouca atividade, culminando em movimentos discretos de preços nesta sexta-feira (2). A principal característica observada foi a persistente distância entre as expectativas de compradores e vendedores, mantendo o volume de negócios em patamar reduzido, com oscilações de até R$ 1,00 por saca no segmento físico.
Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, a morosidade nos negócios é reflexo da atenção dos produtores, que se concentram no plantio da nova safra, e da postura menos agressiva dos compradores. A bolsa de Chicago e o câmbio do dólar também demonstraram pouca volatilidade durante a sessão, contribuindo para a estabilidade dos prêmios e a consequente estagnação das cotações.
Regionalmente, as cotações do grão no mercado físico apresentaram um cenário misto. Enquanto praças como Cascavel (PR), Rondonópolis (MT) e Dourados (MS) mantiveram seus valores em R$ 149,00 e R$ 147,00, respectivamente, algumas localidades registraram leves recuos. Em Passo Fundo (RS), o preço caiu para R$ 152,50, e em Santa Rosa (RS), para R$ 153,50. Rio Grande (RS) também viu uma leve retração para R$ 161,50. Na contramão, Rio Verde (GO) teve um ligeiro aumento, alcançando R$ 147,00, e Paranaguá (PR) se manteve estável em R$ 160,00.
No cenário internacional, os contratos futuros da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) encerraram o pregão em baixa. Fatores como as condições climáticas favoráveis à colheita nos Estados Unidos e a ausência de anúncios de novas vendas significativas de soja americana para a China exerceram pressão sobre os preços. Os contratos para novembro de 2026 recuaram 0,44%, fechando a US$ 12,78 1/4 por bushel, enquanto a posição de janeiro de 2027 teve queda similar. Subprodutos como farelo e óleo também registraram perdas, com o farelo de dezembro de 2026 caindo 1,64% e o óleo do mesmo vencimento apresentando retração de 1,84%.
Dados da Safras & Mercado, atualizados até 2 de outubro, revelam que a comercialização da safra brasileira de soja 2025/26 atingiu 92,3% da produção estimada, um avanço em relação aos 88,7% registrados no início de setembro. Esse patamar supera a média dos últimos cinco anos (90,5%) e o índice do mesmo período do ano anterior (89,4%). Em termos de volume, aproximadamente 164,620 milhões de toneladas já foram negociadas, considerando uma projeção de safra de 178,341 milhões de toneladas. A comercialização antecipada da safra, com base em uma estimativa de 180,089 milhões de toneladas, alcança 32,9%, superando os 23,0% do ano passado e a média histórica de 25,3%.
No front cambial, o dólar comercial registrou uma ligeira desvalorização de 0,13% ao final da sessão, sendo cotado a R$ 5,2166 para venda. Apesar da queda diária, a moeda norte-americana acumulou um aumento de 0,61% frente ao real ao longo da semana.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/agricultura/projeto-soja-brasil/distancia-entre-compradores-e-vendedores-mantem-negocios-de-soja-em-ritmo-fraco/



