Mercado da soja encerra setembro travado e projeta recuperação para outubro

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O mercado global da soja registrou um mês de setembro com pouquíssima movimentação, caracterizado por ganhos modestos na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) e uma acentuada cautela dos produtores brasileiros. A pressão da colheita norte-americana e a ausência de novos catalisadores comerciais foram os principais fatores que mantiveram as cotações em um patamar de estabilidade, gerando expectativa para os rumos da oleaginosa em outubro.

Na principal praça internacional, a posição novembro/26 da soja na CBOT encerrou o nono mês do ano com uma valorização discreta de apenas 0,38%. Esse cenário de estagnação foi amplamente influenciado pela escassez de novas vendas da oleaginosa dos Estados Unidos para a China. Em um movimento notável nas relações comerciais entre as duas potências, a China anunciou a redução de tarifas para uma variedade de produtos agrícolas norte-americanos, como milho, trigo, carnes e laticínios, mas a soja foi explicitamente excluída dessa lista de benefícios, conforme divulgado pelo Ministério do Comércio chinês e pela Casa Branca.

A evolução da colheita nos Estados Unidos também exerceu pressão sobre os preços. Dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicaram que, até 27 de setembro, 17% da área de soja já havia sido colhida. Esse percentual se alinha aos 18% registrados no mesmo período do ano anterior e coincide com a média dos últimos cinco anos. Uma semana antes, em 20 de setembro, a colheita estava em 12%. No que tange às exportações, os Estados Unidos registraram vendas líquidas de 1,033 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27 na semana encerrada em 24 de setembro, tendo a China como principal destino, com 589,4 mil toneladas. Esse volume ficou dentro das projeções de analistas, que variavam entre 500 mil e 1,4 milhão de toneladas.

Outro indicador acompanhado pelo mercado foram os estoques norte-americanos. Em 1º de setembro, os estoques trimestrais de soja em grão somavam 315,133 milhões de bushels, um valor ligeiramente inferior à expectativa de 323 milhões de bushels. Desse total, 90,4 milhões de bushels estavam armazenados em propriedades rurais, enquanto os 224,7 milhões de bushels restantes se encontravam fora das fazendas.

No Brasil, o cenário doméstico refletiu a postura cautelosa do mercado internacional. Os produtores rurais mantiveram-se praticamente fora das novas negociações, aguardando uma melhora nas condições de preço para avançar com vendas. Em Rondonópolis (MT), os preços indicativos para entrega em setembro estavam em R$ 148 por saca (FOB) no dia 30 de setembro. Já em Lucas do Rio Verde (MT), as ofertas de compra situavam-se na faixa de R$ 141 por saca, também com pagamento previsto para o mesmo período. A expectativa é que o mercado brasileiro permaneça atento aos desdobramentos globais e à evolução da demanda para definir suas tendências em outubro.

Fonte original: https://www.canalrural.com.br/agricultura/projeto-soja-brasil/setembro-termina-morno-para-a-soja-brasileira-mercado-travado-pode-reagir-em-outubro/