Mercado do Boi Gordo Aponta para Alta Consistente da Arroba em Setembro

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Apesar de um período de estabilidade e demanda enfraquecida, o mercado físico do boi gordo no Brasil projeta um cenário de valorização consistente da arroba para o mês de setembro. Uma confluência de fatores, que vão desde estratégias de frigoríficos para atender futuras cotas de exportação até dinâmicas sazonais e impulsos econômicos domésticos, sinaliza uma reversão na tendência de preços inalterados observada recentemente.

O final de agosto foi marcado pela estabilidade dos preços de compra do boi gordo, conforme observou Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Ele destacou a heterogeneidade nas escalas de abate: mais extensas para grandes frigoríficos e mais curtas para indústrias de menor porte. No front externo, as exportações de carne bovina apresentaram um desempenho de enfraquecimento, impactadas pela menor participação da China no mercado ao longo do terceiro trimestre. Internamente, a demanda manteve-se em patamar baixo na segunda quinzena de agosto, comportamento considerado natural para o período.

Contrariando o panorama recente, Felipe Fabbri, coordenador de inteligência de mercado da Scot Consultoria, detalha os elementos que fundamentam a expectativa de alta para a arroba em setembro. Quatro pilares são apontados como motores dessa valorização.

Primeiramente, frigoríficos devem direcionar esforços para a aquisição de bovinos jovens para abate, com foco especial na segunda quinzena do mês. Essa estratégia visa assegurar o estoque necessário para cumprir a cota de exportação à China prevista para 2027. Em segundo lugar, a sazonalidade da pecuária, que se estende de setembro a dezembro, geralmente observa uma menor participação de fêmeas nos abates. Essa redução na oferta tende a fortalecer a demanda do setor exportador, exercendo pressão positiva sobre a precificação da arroba.

Um terceiro fator de sustentação provém da decisão do governo dos Estados Unidos de liberar até 300 mil toneladas de carne com tarifa zero. Se essa medida, atribuída a uma política do governo Trump e com potencial validade para os próximos 90 dias, beneficiar o Brasil, ela representaria um novo e significativo impulso para os preços do boi. Por fim, o mercado interno deve receber um fôlego adicional com o início das campanhas eleitorais e a consequente distribuição de verbas do fundo partidário. Esse influxo de capital na economia brasileira é historicamente associado a um estímulo ao consumo de carne bovina no país.

Apesar das projeções de alta, os preços médios da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, mantiveram-se inalterados em 20 de agosto em diversas regiões: R$ 355 em São Paulo (Capital), R$ 335 em Goiás (Goiânia) e Minas Gerais (Uberaba), R$ 340 em Mato Grosso do Sul (Dourados), R$ 330 em Mato Grosso (Cuiabá) e R$ 338 em Rondônia (Vilhena).

No mercado atacadista, a semana registrou estabilidade ou recuo nos preços. Fernando Iglesias ressalta que o ambiente de negócios ainda aponta para a possibilidade de queda das cotações no curto prazo, reflexo de um menor apelo ao consumo. Adicionalmente, a carne bovina permanece menos competitiva em comparação com proteínas concorrentes, notadamente a carne de frango, o que influencia negativamente o mercado. O quarto dianteiro do boi foi cotado a R$ 21,00/kg (queda de 2,33%), enquanto o quarto traseiro permaneceu em R$ 27,00/kg.

Em relação às exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada, o Brasil contabilizou US$ 579,688 milhões nos primeiros dez dias úteis de agosto, com um volume total de 94,419 mil toneladas. A média diária de exportação, quando comparada ao mesmo período do ano anterior, indicou uma baixa de 19,1% no valor e uma queda de 26,1% na quantidade, embora o preço médio por tonelada tenha registrado um avanço de 9,6%.

Fonte original: https://www.canalrural.com.br/pecuaria/quatro-fatores-reforcam-expectativa-de-alta-para-a-arroba-do-boi-gordo-em-setembro/