Especialista aponta que a otimização da dieta com milho reidratado pode economizar até 20% do alimento e aumentar a lucratividade no Centro-Oeste.
Pecuaristas da região central do Brasil, incluindo Goiás, têm uma nova ferramenta para turbinar o desempenho do gado confinado e, de quebra, reduzir os custos de produção. A chave está no processamento adequado de grãos, especialmente o milho, que compõe grande parte da dieta dos animais. A técnica, que já é vista como estratégica, promete uma pecuária mais eficiente e rentável.
O que aconteceu
O zootecnista Maurício Scoton, renomado por seu trabalho em confinamento, trouxe à tona a importância crescente do milho reidratado. Ele destacou que adotar tecnologias como moagem, laminação e floculação não é apenas um detalhe, mas uma etapa crucial para melhorar a digestibilidade do amido e otimizar o aproveitamento dos nutrientes pelo animal. Na prática, isso significa um gado que engorda mais rápido e melhor, consumindo menos alimento, o que se traduz diretamente em menor custo por arroba produzida.
Segundo Scoton, a temporada de confinamento, que é um período de alta demanda por eficiência, é o momento ideal para investir nessas abordagens. A mudança no manejo do grão visa maximizar a conversão alimentar, permitindo que os animais atinjam o mesmo desempenho com uma quantidade menor de ração, um benefício inestimável para os produtores goianos e de todo o Centro-Oeste.
Entenda o caso
O milho é um dos pilares da alimentação bovina, respondendo por 30% a 60% do volume total da dieta e podendo corresponder a até metade do custo de produção da arroba. Contudo, quando o milho é fornecido apenas moído seco, o rúmen do bovino tem dificuldade em quebrar a matriz proteica que envolve o amido. O resultado é um desperdício silencioso e custoso: cerca de 15% a 20% do amido ingerido pelo animal não é aproveitado e é excretado nas fezes, sem se transformar em carne.
Apesar do grande potencial de ganho, muitos confinadores ainda resistem em adotar o milho reidratado, acreditando que o processamento adicional eleva os custos. No entanto, o especialista Maurício Scoton enfatiza que a economia gerada pela melhor digestão e menor consumo de alimento compensa o investimento nas técnicas de processamento, especialmente em um cenário de insumos valorizados, onde qualquer ineficiência no trato alimentar impacta diretamente a margem de lucro.
Impacto para a população
Para o produtor rural em Goiás, a adoção do processamento de grãos pode significar uma margem de lucro mais consistente e uma operação mais sustentável. Reduzir o desperdício de alimento e otimizar a conversão em carne não só melhora a rentabilidade individual, mas também fortalece a pecuária da região, que é um dos motores da economia local. Uma produção mais eficiente pode resultar em uma oferta de carne mais estável e, potencialmente, em preços mais competitivos no mercado, beneficiando indiretamente o consumidor final.
Com a pecuária sendo uma atividade econômica vital em Goiás, a implementação dessas técnicas representa um avanço significativo. Ela contribui para a modernização do setor, garante um uso mais inteligente dos recursos e posiciona os pecuaristas locais com maior competitividade no cenário nacional.



