A Vice-Prefeita de Goiânia, Coronel Cláudia Silva Lira, defende que a construção de uma cidade verdadeiramente sustentável e humana exige um compromisso coletivo, transcendendo a mera atuação do poder público. Em artigo recente, Lira sublinha que o cuidado com o ambiente urbano e a promoção da qualidade de vida dependem crucialmente da consciência ambiental e da corresponsabilidade entre gestão municipal e cidadãos, desafiando a percepção de que a zeladoria é uma tarefa exclusiva da administração.
A gestora reflete sobre a paradoxal evolução da humanidade, que, apesar dos avanços tecnológicos, intensificou o consumo de recursos naturais a níveis insustentáveis. Esse modelo resulta em rios degradados, perda de biodiversidade, alterações climáticas e eventos meteorológicos extremos. A tecnologia, embora traga conforto, também potencializou a geração de resíduos, transformando o que antes era durável em itens de descarte rápido, muitas vezes sem a devida preocupação com o destino final.
Lira enfatiza que o resíduo não desaparece ao sair de nossa vista; ele apenas muda de local, transferindo o problema e seus impactos para outras áreas, sem resolver a questão. É nesse contexto que a consciência ambiental se alinha à responsabilidade cívica, tanto individual quanto coletiva, evidenciando que o impacto não tem endereço fixo.
A Prefeitura de Goiânia, segundo a vice-prefeita, tem o dever de zelar pela cidade, e iniciativas como a reestruturação da Comurg e a operação do programa Limpa Gyn demonstram o empenho na recuperação da zeladoria. Contudo, o conceito de uma cidade bem cuidada é mais abrangente do que apenas a limpeza; inclui a preservação de espaços públicos, a segurança, a qualidade de vida, a valorização dos bairros e melhores condições para a convivência social.
No entanto, a manutenção de uma cidade limpa e organizada não pode ser uma tarefa isolada do poder público. Lira exemplifica que praças limpas hoje podem estar degradadas amanhã, e pontos de descarte irregular podem ressurgir em poucos dias. Essa realidade evidencia que a zeladoria urbana é intrinsecamente ligada à educação, ao comportamento e à cidadania ativa de cada indivíduo.
Enquanto o poder público deve cumprir suas obrigações e ser cobrado por elas, a população também precisa reconhecer e assumir suas responsabilidades. A cidadania, nesse sentido, não se limita à reivindicação de direitos, mas abrange o entendimento e o cumprimento dos deveres que sustentam a vida em comunidade.
Essa transformação começa com atitudes cotidianas e aparentemente simples: o descarte correto de resíduos, a redução do uso de descartáveis, a reutilização sempre que possível e, fundamentalmente, evitar o descarte inadequado de lixo em espaços que são de todos. Pequenas ações, quando cultivadas como hábitos, geram impactos significativos na paisagem urbana e na qualidade de vida.
Para a vice-prefeita, a educação ambiental deve ir além de campanhas pontuais. Ela precisa ser um processo contínuo, iniciado na escola e estendido ao lar, ao trabalho, às ruas, praças e parques. O objetivo é formar cidadãos que não apenas demandam uma cidade melhor, mas se veem como protagonistas em sua construção, guiados pela máxima de deixar cada lugar melhor do que o encontrado.
Fortalecer o sentimento de pertencimento é crucial. Quando a cidade é percebida como um bem comum, o cuidado se intensifica. Uma praça deixa de ser apenas um local a ser limpo por “alguém” e a rua não é só um caminho. O espaço público passa a ser parte integrante da vida de cada um.
Cobrar a gestão é um direito democrático, mas participar é igualmente essencial. E participar, segundo Lira, significa cuidar, preservar, respeitar e colaborar. Essa visão orienta sua própria missão, buscando fazer a diferença por meio de conquistas que, embora possam parecer pontuais – como uma praça revitalizada ou uma escola melhor cuidada – somam-se para transformar a cidade.
A Goiânia desejada para as futuras gerações não emergirá apenas de grandes projetos ou decisões de gabinete. Ela será moldada pelas escolhas diárias de cada um. O futuro da capital goiana, portanto, reside na sinergia entre uma gestão pública que cumpre seu dever e cidadãos que exercem seus direitos, mas, acima de tudo, assumem suas responsabilidades.
Uma cidade verdadeiramente limpa, sustentável e humana não é aquela que sempre tem alguém para arrumar depois do descuido alheio, mas sim aquela onde cada habitante compreende seu papel e seu dever de cuidar. Goiânia é de todos, e seu futuro promissor se inicia nas decisões e ações tomadas hoje por cada um de seus moradores.
Fonte original: https://www.jornalhoraextra.com.br/artigos/cuidar-da-cidade-e-assumir-o-nosso-lugar-nela



