Os contratos futuros de ouro registraram queda nesta quarta-feira (14), marcando a terceira sessão consecutiva de desvalorização. A desconfiança dos investidores foi impulsionada por um índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos acima do esperado em setembro, que reacendeu as preocupações com a inflação e fortaleceu as expectativas de um possível aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) já em sua reunião de outubro.
Na Comex, a divisão de metais da Bolsa de Nova York (Nymex), o ouro com entrega para dezembro encerrou o dia com uma baixa de 1,66%, cotado a US$ 4.107,90 por onça-troy. A prata, negociada para o mesmo mês, acompanhou o movimento de queda, registrando um recuo de 6,12% e fechando a US$ 55,877 por onça-troy.
A divulgação do CPI de setembro foi o principal catalisador para a pressão sobre o metal precioso. Analistas do ING observaram que os dados inflacionários reforçam a percepção de que o Banco Central norte-americano “ainda tem trabalho a fazer” para controlar a escalada dos preços. Após a publicação, a ferramenta de monitoramento do CME Group indicou uma probabilidade superior a 50% de que o Fed implemente um novo aperto monetário na reunião deste mês. O ouro, que não oferece rendimento, tende a se desvalorizar em cenários de juros mais altos, pois o custo de oportunidade de mantê-lo aumenta.
A Spartan Capital acrescentou que o dólar mais forte e o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também contribuíram para a pressão de venda sobre o ouro. A valorização da moeda americana, por sua vez, foi atribuída a fatores como os desdobramentos geopolíticos globais e a declaração da diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), que considerou insuficientes os planos de crescimento do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para conter o crescente déficit e endividamento do país. Contraditoriamente, a Spartan Capital pondera que essas mesmas preocupações poderiam, em outra conjuntura, incentivar a compra de metais preciosos como porto seguro.
O Saxo Bank, por sua vez, apontou que o patamar de resistência crucial para o ouro permanece em torno de US$ 4.235, um nível que foi superado durante a onda de vendas registrada no final de setembro.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ouro-14-10-26-apsa/



