A Petrobras anunciou um conjunto de resultados financeiros expressivos para o segundo trimestre de 2026 (2T26), superando as expectativas do mercado e impulsionando a distribuição de dividendos. O desempenho foi alavancado por um aumento na produção, preços de venda acima do esperado e uma operação de refino sólida, confirmando a robustez operacional da estatal.
Entre abril e junho, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, um salto de 61% em comparação ao trimestre anterior e de 97% na base anual. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado recorrente alcançou R$ 95,8 bilhões, equivalente a aproximadamente US$ 19 bilhões, um montante que superou as projeções de diversas instituições financeiras, evidenciando a forte geração de caixa.
Em linha com os resultados, a Petrobras também declarou dividendos ordinários no valor de R$ 17,4 bilhões, montante que superou as estimativas de grande parte dos analistas. Os papéis serão negociados ex-dividendos a partir de 24 de agosto, com os pagamentos previstos para novembro e dezembro.
Analistas da Genial Investimentos descreveram o período como um “hat trick” da Petrobras, atribuindo o sucesso a três pilares: volume de produção, preços de realização e desempenho de refino. A combinação desses fatores explicou os números acima do previsto, com a produção total de petróleo e gás atingindo 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um crescimento de 15% na comparação anual e 4% frente ao trimestre anterior, beneficiada pela expansão do pré-sal e novas plataformas.
O segmento de Exploração e Produção (E&P) reafirmou sua posição como motor dos resultados, registrando um Ebitda recorde de cerca de US$ 15,9 bilhões. Este feito foi impulsionado tanto pelo maior volume de produção quanto pelos eficientes custos operacionais do pré-sal.
A surpresa positiva, segundo o Itaú BBA, veio das exportações de petróleo bruto, com a Petrobras obtendo preços efetivamente realizados aproximadamente US$ 4 por barril acima das projeções do banco. Essa performance auxiliou na elevação das receitas e na compensação de fatores como o imposto sobre exportações. O Morgan Stanley corroborou, indicando que a empresa vendeu petróleo a preços próximos de US$ 114 por barril, capturando uma remuneração superior à antecipada.
O refino também apresentou um desempenho notável, beneficiado pela alta utilização das refinarias, que em algumas unidades chegou a superar 100%, e pela manutenção de spreads internacionais favoráveis. O Ebitda da área de refino ficou em torno de US$ 3,6 bilhões, superando as projeções.
Apesar dos impostos sobre exportação, que limitaram parte dos ganhos, o JPMorgan destacou a solidez dos resultados e previu um cenário positivo para o terceiro trimestre de 2026, com a expectativa de que “ventos contrários se transformem em favoráveis”, impulsionando o fluxo de caixa livre e os dividendos. Estima-se que cerca de US$ 1,9 bilhão, relacionado a subsídios de combustíveis não recebidos no 2T26, ingresse no caixa no próximo trimestre, abrindo espaço para dividendos potencialmente ainda maiores.
Após a divulgação do balanço, grandes bancos como Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan e Morgan Stanley mantiveram uma perspectiva otimista para a Petrobras, reiterando recomendações de compra ou equivalente. O Goldman Sachs, por exemplo, manteve a recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 57, citando o crescimento da produção, valuation atrativo e o potencial de elevados dividendos.
Contudo, alguns analistas adotam uma postura mais cautelosa. O Bradesco BBI, por exemplo, manteve recomendação neutra, reconhecendo os bons resultados, mas apontando riscos como a volatilidade dos preços do petróleo, incertezas eleitorais e a possibilidade de investimentos em projetos considerados menos previsíveis. A Genial Investimentos, que também mantém recomendação equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 50 para PETR4, ressalta que, embora a capacidade operacional da Petrobras seja forte, a reprecificação das ações dependerá da alocação de capital e de uma política de retorno compatível com a magnitude da geração de caixa.
Fonte original: https://www.infomoney.com.br/mercados/petrobras-petr4-balanco-forte-e-dividendos-no-topo-das-projecoes-mais-esta-por-vir-no-3t/



