Petróleo: Queda Diária Não Apaga Semana de Forte Alta Impulsionada por Crise no Oriente Médio

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Os preços do petróleo registraram queda nesta sexta-feira, mas o mercado se prepara para encerrar a semana com as duas principais referências do barril acima dos US$ 100, um patamar não visto desde meados de maio. A valorização significativa é reflexo do aumento de ataques em rotas marítimas cruciais no Oriente Médio, que intensificam os temores de interrupções prolongadas no fornecimento global.

Apesar da forte tendência de alta semanal, os contratos futuros de petróleo reverteram os ganhos observados no início do dia e passaram a operar em baixa. Essa virada ocorreu após a divulgação de que ministros das Relações Exteriores do Oriente Médio buscam um acordo temporário com o Irã para gerenciar o transporte marítimo no estratégico Estreito de Ormuz, conforme noticiado pelo Financial Times.

Por volta das 4h51 (horário de Brasília), o barril de Brent, referência internacional, apresentava queda de US$ 1,51 (1,40%), cotado a US$ 106,10. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), benchmark norte-americano, recuava US$ 1,30 (1,27%), atingindo US$ 101,20 por barril. No entanto, ambas as commodities acumulavam um avanço superior a 10% na semana, marcando o maior desempenho semanal desde 17 de julho, impulsionado por um salto de mais de 6% apenas na quinta-feira.

As tensões geopolíticas na região continuam a ser o principal motor da preocupação com a oferta. O controle do porto de Mocha, no Iêmen, pelos houthis (grupo alinhado ao Irã), adiciona uma ameaça ao tráfego no Mar Vermelho. Simultaneamente, o fluxo de navios no Golfo Pérsico segue restringido pelo Estreito de Ormuz, em meio a uma escalada de ataques contra petroleiros. Ataques provenientes do Iêmen contra instalações de energia da Arábia Saudita, para além do Irã e de Ormuz, exacerbaram o receio de disrupções em larga escala, segundo análises de mercado. Analistas do ING observam que, embora volumes consideráveis ainda transitem por Ormuz, os níveis estão bem abaixo do período pré-conflito, evidenciando a fragilidade da situação.

As interrupções no fornecimento global, catalisadas pelos conflitos regionais, somadas aos ataques ucranianos a refinarias russas, já impactam outros mercados. Nos Estados Unidos, o preço médio nacional do diesel superou ontem a marca de US$ 6 por galão pela primeira vez na história, segundo dados do monitor de preços GasBuddy.

Em meio ao cenário turbulento, o Irã declarou ter atacado dez navios próximos ao Estreito de Ormuz em retaliação a ataques norte-americanos contra cinco de seus petroleiros. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou para uma intensificação de sua resposta a quaisquer novas ofensivas.

Especialistas monitoram de perto a evolução dos preços. Tony Sycamore, analista da IG, sugere que, com os eventos fora de controle e o Irã sinalizando disposição para escalar o conflito, é cada vez mais provável que o WTI possa testar novamente sua máxima de US$ 119,48 registrada em março. A sustentabilidade dessa alta dependerá, em grande parte, da China, o maior importador mundial de petróleo bruto. Uma demanda chinesa contínua poderia amplificar o impacto das interrupções de oferta, impulsionando os preços ainda mais.

Paralelamente, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisou para baixo, pela quinta vez consecutiva, sua projeção de crescimento da demanda global para 2026, agora em 380 mil barris por dia. Uma pesquisa da Reuters revelou que a produção da Opep caiu 640 mil barris por dia em agosto.

Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, conclui que o próximo movimento do petróleo será determinado mais pela melhora ou deterioração dos fluxos físicos do que pelas manchetes isoladas. A questão crucial, segundo ela, é se o mercado conseguirá se estabilizar abaixo de US$ 120, ou se uma nova onda de interrupções de oferta levará o petróleo bruto a um regime de preços completamente inédito.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/precos-do-petroleo-caem-mas-devem-encerrar-a-semana-acima-de-us-100-pela-primeira-vez-em-quase-4-meses-fets/