Plenário lotado na Alego celebra Povos de Axé e reforça luta por respeito em Goiás

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A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) se transformou em um palco de celebração e resistência neste sábado (23), com o plenário lotado para uma homenagem aos Povos de Axé. O encontro, que reconheceu as comunidades tradicionais e de matriz africana, reuniu centenas de líderes religiosos, juristas, pesquisadores e praticantes de religiões como Umbanda, Jurema e Candomblé, em um forte manifesto pela liberdade de crença e contra o preconceito que atinge tantos goianos.

A iniciativa partiu do deputado Mauro Rubem (PT), que abriu a solenidade reforçando a importância de defender a laicidade do Estado, um princípio essencial que garante a proteção e o respeito a todas as formas de religiosidade e espiritualidade. 'É fundamental mostrar a beleza e a grandiosidade do trabalho que cada um de vocês realiza', afirmou o parlamentar, ressaltando o perigo de um sistema religioso dominar o espaço público.

Rubem também destacou a necessidade de ampliar a atuação legislativa no combate à intolerância religiosa. Ele pediu a aplicação das leis já existentes e a criação de políticas públicas que promovam a equidade e a reparação histórica para grupos que ainda sofrem com a marginalização em Goiás.

União e Reconhecimento contra o Preconceito

A emoção tomou conta do plenário com os depoimentos dos líderes religiosos. O Babalorixá Kerley de Oxalufã, com 26 anos de sacerdócio, contou ser a primeira vez que via uma reunião tão expressiva de religiões de matriz africana. 'Precisamos deixar de lado o que nos separa e nos unir, seja Umbanda, Jurema, Candomblé, todo mundo. Se formos juntos, seremos mais fortes', disse, enfatizando a força que nasce da união.

Ele também frisou a importância do Certificado do Mérito Legislativo para a comunidade. 'Essas homenagens servem para sentirmos que somos alguém, nos levantarmos, falarmos e brigarmos por nossos direitos, pois, se não formos atrás de exercer ou usufruir desses direitos, não vamos ter nada', pontuou Kerley de Oxalufã, traduzindo o gesto da Alego em um incentivo para a comunidade lutar por seu espaço.

Ângela Café, presidente do instituto Fará Imorá, fez um apelo por parlamentares que não se curvem a ameaças e perseguições. 'Vemos nos meios de comunicação como essas pessoas nos combatem. Fazemos um chamado para que estejamos juntos para derrotar o fascismo que impera nesta cidade', declarou, celebrando a casa cheia em um sábado de manhã.

Justiça e Laicidade para Todos

A advogada Fernanda Santos, coordenadora do Núcleo Goiás da Associação Brasileira de Juristas pelo Direito, reforçou a defesa da laicidade do Estado e a necessidade de punição para crimes de intolerância religiosa. 'Essa Casa de Leis deve ser verdadeiramente a Casa do povo goiano e ser ocupada por qualquer um de nós, independentemente da fé que professamos', afirmou, pedindo responsabilização legal para quem desrespeita o direito à crença.

O delegado Matheus Ferreira, da Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (Deacri), também participou do evento. Ele explicou que o racismo religioso ainda é uma realidade no dia a dia e que a Deacri atua com protocolos rigorosos para evitar que as vítimas sofram novamente. 'A delegacia se estrutura com as vozes de vocês', concluiu, mostrando o compromisso da polícia em ouvir e proteger a comunidade.

A solenidade na Alego, em Goiânia, não foi apenas uma entrega de honrarias. Foi um momento de reafirmar a identidade, a cultura e a fé dos Povos de Axé em Goiás, e de fortalecer a união na busca por uma sociedade mais justa e sem preconceitos.

Fonte: https://diariodegoias.com.br