Ponte Preta Aprofunda Crise Com Saída de Atacantes e Greve Por Salários Atrasados

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Campinas, SP – A profunda crise que assola a Ponte Preta ganhou novos contornos com a confirmação da saída dos atacantes Brandão e Baianinho do elenco alvinegro. As dispensas ocorrem em um momento de grave instabilidade financeira e institucional do clube campineiro, caracterizado por atrasos salariais que deflagraram um protesto de jogadores e se refletem em um desempenho esportivo alarmante na Série B do Campeonato Brasileiro.

Brandão, de 22 anos, que estava emprestado pelo Coritiba, encerrou sua passagem pela Macaca após disputar 17 partidas e marcar três gols. O jogador já retornou ao seu clube de origem e aguarda a definição de seu futuro, com o CSKA 1948, da Bulgária, sendo cotado como provável destino. Baianinho, por sua vez, chegou em março, por empréstimo do Capivariano, participou de 11 jogos e balançou as redes uma vez, na derrota por 1 a 0 para o Criciúma.

As baixas se somam a um quadro de crescente insatisfação no Moisés Lucarelli. O elenco da Ponte Preta se mobilizou em paralisação das atividades em protesto contra atrasos salariais que, segundo relatos, chegam a seis meses para alguns atletas, e em casos mais graves, se aproximam de um ano. Jogadores emprestados, cujos vencimentos são pagos total ou parcialmente por seus clubes de origem – como o atacante David da Hora (Coritiba) e os zagueiros Lucas Cunha e Palacios (Bragantino) – também aderiram ao movimento.

A saída de Brandão e Baianinho amplia a extensa lista de atletas que deixaram a Ponte Preta ao longo da disputa da Série B. A “debandada” afetou praticamente todos os setores do time, com nomes como o goleiro Diogo Silva, os zagueiros David Braz, Márcio Silva e Weverton, os laterais Lucas Justen, Bryan Borges e Thalys, os meio-campistas Rodrigo Saravia e Tárik, além dos atacantes Diego Tavares, Luis Phelipe e Pottker já tendo encerrado seus vínculos com a Macaca.

A gravidade da situação foi escancarada no último domingo, quando a Ponte Preta se viu forçada a escalar uma equipe majoritariamente composta por atletas da base para enfrentar o América-MG, em Belo Horizonte, visando evitar um W.O. O resultado foi uma derrota por 2 a 0, que estendeu a sequência sem vitórias da Macaca para 19 partidas consecutivas na Série B, igualando o pior jejum da história da competição, registrado pelo ABC em 2015.

Com apenas dez pontos conquistados em 25 rodadas, a Ponte Preta permanece na lanterna do campeonato, cada vez mais ameaçada por um novo rebaixamento. O momento esportivo é um reflexo direto da deterioração nos bastidores, que fragiliza a estrutura do futebol profissional do clube.

Em meio ao cenário de protestos, alguns jogadores retornaram aos treinamentos nesta terça-feira, no CT do Jardim Eulina. Entre eles, Sergio Palacios, Lucas Cunha, Danilo Barcelos, Murilo Cavalcante, André Lima, Léo Gomes e David da Hora. O técnico Gilson Kleina, que iniciou sua sexta passagem pelo clube, realizou uma reunião com os atletas buscando mobilizá-los para o próximo compromisso.

A Ponte Preta volta a campo no próximo domingo (6), às 18h30, para receber o São Bernardo no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, em partida válida pela 26ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

Fonte original: https://www.futebolinterior.com.br/atacantes-da-ponte-preta-deixam-o-clube-em-meio-a-crise/