O mercado acionário brasileiro demonstrou um notável ressurgimento do otimismo em setembro, com investidores e assessores de investimento exibindo maior apetite por risco. No entanto, esse entusiasmo renovado convive com uma persistente cautela, alimentada pelas incertezas no ambiente fiscal doméstico e pelo quadro político-eleitoral que se aproxima, conforme indicam dados de uma pesquisa recente.
A pesquisa com assessores revelou um salto na intenção de elevar a exposição à renda variável nas carteiras dos clientes, atingindo o patamar mais elevado desde março. O sentimento médio em relação ao mercado de ações também melhorou substancialmente, e a projeção para o Ibovespa ao final do ano foi revisada positivamente. Apesar disso, 75% dos participantes relataram ajustes em suas posições, principalmente devido à proximidade das eleições de outubro, destacando a influência dos fatores macroeconômicos e políticos nas decisões de investimento.
No universo dos fundos imobiliários (FIIs), a estratégia de tentar antecipar os momentos ideais de compra e venda pode ser particularmente prejudicial à rentabilidade. Análises mostram que ficar de fora de um pequeno número de pregões de maior alta diária no IFIX, o índice dos FIIs, pode gerar perdas significativas no retorno acumulado. Por exemplo, perder apenas três das maiores altas diárias nos últimos dez anos reduziria o retorno em mais de 20%, enquanto ausentar-se dos trinta melhores pregões (que representam uma fração mínima do período) implicaria um impacto negativo de quase 70% no resultado final.
Diante das oscilações do mercado e da necessidade de proteger o poder de compra, os Fundos de Índice (ETFs) emergem como uma solução versátil. Esses instrumentos oferecem uma forma prática e transparente de expor o patrimônio a diferentes ativos em bolsa, permitindo a construção de carteiras diversificadas ou estratégias focadas em prazos específicos. Com os ETFs, é possível combinar vencimentos e ajustar a sensibilidade dos ativos para proteger-se contra a inflação e manter a flexibilidade necessária em cenários de incerteza.
Além do cenário doméstico, o mercado internacional apresenta perspectivas positivas. Uma nova cobertura iniciada para o S&P 500, o principal índice da bolsa norte-americana, recomenda a compra de seus ativos. A tese é ancorada na resiliência das empresas dos Estados Unidos, que combinam crescimento robusto, alta rentabilidade e qualidade superior. O avanço da inteligência artificial e a monetização de infraestruturas digitais são apontados como motores para a expansão dos lucros e a sustentação dos múltiplos de mercado.
No setor de telecomunicações, a atuação da NuCel, braço do Nubank, já provoca impactos competitivos significativos. Mesmo antes de atingir sua projeção inicial de assinantes, a presença do “cisne roxo” tem levado as operadoras estabelecidas a redefinir suas estratégias, influenciando as perspectivas de expansão da base de usuários, a rentabilização de serviços e a dinâmica da disputa por mercado.
Para investidores focados em renda passiva, o calendário de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) das companhias abertas na B3 em outubro é um ponto de atenção. Entre os destaques para o mês, figuram os repasses de empresas como Lojas Renner (LREN3), Ambev (ABEV3), Totvs (TOTS3) e Itaú Unibanco (ITUB4), cujas datas são cruciais para o planejamento financeiro.
Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/apetite-por-risco-fundos-imobiliarios-e-etfs-veja-destaques-da-semana/



