O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) fez duras críticas à condução da política econômica do atual governo, rotulando o arcabouço fiscal como uma “piada” e defendendo a implementação de um Plano Safra com perspectiva plurianual. As declarações foram dadas durante sua participação na série de entrevistas promovida pelo Canal Rural e pelo BDM, que ouve os principais candidatos ao Palácio do Planalto.
Médico, produtor rural e ex-governador de Goiás, Caiado, com vasta experiência na vida pública que inclui cinco mandatos como deputado federal e um como senador, apresentou suas propostas para o agronegócio e a economia brasileira. A entrevista, exibida nesta sexta-feira (28), fez parte de uma série que reuniu os seis candidatos mais bem posicionados nas principais pesquisas de opinião.
No campo econômico, o candidato ressaltou a intenção de impor limites ao crescimento das despesas públicas e advogou por uma nova análise da reforma da Previdência. Ele destacou a redução das taxas de juros como uma das prioridades centrais para um eventual governo, argumentando que as atuais taxas tornam a economia insustentável e desestimulam o investimento produtivo em todos os setores.
Para o setor agropecuário, Caiado propôs um planejamento de longo prazo para o Plano Safra, visando oferecer previsibilidade aos produtores, além de ampliação do seguro rural, investimentos robustos em infraestrutura logística e a implementação de medidas para diminuir a dependência brasileira de insumos importados. Ele salientou a necessidade de políticas estruturantes que acompanhem o avanço da produtividade do campo, que, segundo ele, não é acompanhado pela geração de renda para o produtor.
Caiado não poupou palavras ao descrever o arcabouço fiscal como “uma piada”, argumentando que o governo frequentemente o “frauda” ao excluir despesas para fins “politicagem”. Ele apontou para o aumento significativo da dívida pública em relação ao PIB, questionando a destinação desses recursos e o impacto nas altas taxas de juros que afetam todos os segmentos da economia. Sua proposta para reverter esse cenário inclui um limite para o crescimento dos gastos públicos atrelado à inflação, sem adicionar o crescimento do PIB.
Sobre a Previdência, o presidenciável reconheceu a necessidade de rediscutir o modelo vigente, que foi concebido em um período com expectativa de vida muito inferior à atual. Contudo, enfatizou que qualquer reforma neste campo não teria impacto imediato no ajuste fiscal, tratando-se de uma medida com resultados a longo prazo. Caiado defendeu que a prioridade inicial seria conter as despesas governamentais e apresentar um bom exemplo de gestão antes de propor mudanças que afetem a população.
O candidato afirmou que a “postura moral” e a credibilidade de um presidente são fundamentais para restaurar a confiança do mercado e permitir a redução dos juros. Ele rechaçou a ideia de culpar o Congresso por dificuldades de governança, defendendo que um presidente com autoridade moral deve dialogar com as lideranças para construir consensos. Além disso, destacou a importância de pacificar o país, evitando “brigas inúteis” e focando em soluções concretas para os problemas do setor produtivo.
Na política externa, Caiado expressou preocupação com o que chamou de “braço partidário” do Itamaraty, defendendo que o órgão retome seu papel tradicional de abrir mercados e buscar a pacificação das relações. Ele criticou provocações diplomáticas e defendeu uma postura de diálogo e entendimento com parceiros comerciais como Estados Unidos e China, buscando mercados em todas as regiões do mundo, sem deixar que convicções ideológicas interfiram na estratégia comercial brasileira, que deveria focar na exportação de produtos terminados e na geração de riqueza.
Por fim, o presidenciável sublinhou a relevância da segurança jurídica para atrair investimentos, manifestando indignação com decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal que geram instabilidade nos contratos. Ele se apresentou como um “cirurgião” na gestão, prometendo analisar profundamente os problemas com o auxílio das “melhores cabeças” antes de aplicar soluções, enfatizando que não atua com “achismo” e que a humildade em buscar expertise é crucial para governar, assim como fez em seu estado, Goiás.
Fonte original: https://www.canalrural.com.br/politica/caiado-critica-politica-economica-chama-arcabouco-fiscal-de-piada-e-promete-plano-safra-plurianual/


