SUS testa “caneta emagrecedora” semaglutida em pacientes com obesidade grave

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Ministério da Saúde inicia projeto-piloto no Rio Grande do Sul para avaliar medicamento em 250 pessoas que aguardam cirurgia bariátrica.

O Ministério da Saúde deu o pontapé inicial em um projeto-piloto que levará a semaglutida, princípio ativo das chamadas “canetas emagrecedoras”, a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul. A iniciativa, anunciada na última sexta-feira (26), visa avaliar o impacto e a efetividade do medicamento no tratamento da obesidade grave, abrindo uma nova frente para pessoas que enfrentam a doença no país.

O que aconteceu

O estudo será conduzido com 250 pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, na capital gaúcha. A seleção contempla indivíduos com obesidade severa ou associada a outras complicações de saúde, como problemas cardíacos, e que já possuem indicação para cirurgia bariátrica. O objetivo é entender como o tratamento com semaglutida pode ser adaptado à realidade do SUS.

Ao longo de dois anos, os pesquisadores irão monitorar diversos indicadores. Entre eles estão o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida dos participantes, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias (para os que forem à cirurgia) e, crucialmente, os custos envolvidos no processo. Os recursos para a pesquisa são provenientes da própria produtora do medicamento, repassados ao hospital por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Entenda o caso

A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, medicamentos que se tornaram populares como “canetas emagrecedoras”. A decisão de iniciar o projeto-piloto vem após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) ter recomendado, em agosto do ano passado, a não incorporação da liraglutida e da semaglutida ao SUS. Na época, o principal impedimento era o alto custo, com uma estimativa de impacto financeiro anual de R$ 8 bilhões para a inclusão desses fármacos.

Apesar da recomendação anterior, o Ministério da Saúde justifica o piloto pela necessidade de novas abordagens. Dados da pasta indicam que no Grupo Hospitalar Conceição, 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Desses, apenas 47% têm condições clínicas para a realização da cirurgia bariátrica, sendo a hipertensão arterial a comorbidade mais frequente. O estudo busca, portanto, preencher uma lacuna para um grupo de pacientes com opções limitadas.

Para participar do projeto, além do acompanhamento médico prévio na unidade, os pacientes devem ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e apresentar falha comprovada em tratamentos convencionais, como dietas estruturadas e exercícios físicos, por no mínimo dois meses. É fundamental também que o paciente ou um cuidador tenha capacidade para realizar a autoaplicação do medicamento.

Impacto para a população

Para os 250 participantes do estudo, a inclusão no projeto significa o acesso a uma tecnologia de ponta para o tratamento da obesidade grave, que antes estava inacessível na rede pública. Isso pode representar uma melhora significativa na saúde e na qualidade de vida, especialmente para aqueles que não são elegíveis ou que falharam com outros tratamentos.

Em uma perspectiva mais ampla, os resultados do projeto-piloto serão determinantes para futuras decisões sobre a incorporação da semaglutida e similares no SUS em todo o Brasil. Se comprovada a efetividade e a viabilidade econômica para o sistema público, milhões de brasileiros que sofrem com a obesidade e suas comorbidades poderão ter, no futuro, uma nova esperança de tratamento custeado pelo Estado. A pesquisa é um passo importante para entender se e como o SUS pode oferecer tratamentos mais diversos e eficazes para uma doença que afeta grande parte da população.

Este avanço, embora ainda em fase de testes, sinaliza um movimento do Ministério da Saúde para explorar novas alternativas no enfrentamento da obesidade, doença com alta prevalência e que sobrecarrega o sistema de saúde com suas diversas complicações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br