O banco suíço UBS BB reafirmou sua recomendação de compra para as ações da Petrobras (PETR4) e elevou o preço-alvo do papel, projetando a estatal como uma das companhias mais aptas a capitalizar o atual cenário de preços elevados do petróleo. A análise do banco suíço, divulgada nesta quarta-feira (23), aponta para um potencial de valorização e dividendos atrativo, impulsionado por sua posição estratégica e política de remuneração aos acionistas.
Analistas da instituição financeira, Tasso Vasconcellos, João Baricello e Matheus Enfeldt, destacam que a Petrobras se sobressai entre seus pares globais, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes. A perspectiva otimista é fundamentada na condição da empresa como exportadora líquida, na performance de produção que supera as expectativas internas e na sua relativa resiliência a impactos operacionais decorrentes do conflito no Oriente Médio.
A atratividade da Petrobras para investidores também reside em sua clara política de dividendos trimestrais, diretamente atrelada ao fluxo de caixa. O UBS BB prevê um dividend yield robusto de 10% a 11% em 2026, com uma projeção de crescimento para 13% a 14% em 2027, mesmo após o expressivo desempenho das ações no acumulado do ano. Diante desse panorama, o preço-alvo para PETR4 foi ajustado de R$ 60 para R$ 62 para os próximos 12 meses, sugerindo um potencial de valorização de 28% sobre o fechamento anterior. Para os ADRs da companhia, negociados na Bolsa de Nova York (NYSE) sob o código PBR, o preço-alvo subiu de US$ 22 para US$ 23, indicando uma potencial alta de aproximadamente 11%.
No dia da divulgação do relatório, as ações da Petrobras reagiram positivamente, acompanhando a cotação do barril de Brent acima de US$ 100. Por volta do meio-dia (horário de Brasília), PETR4 registrava alta de 2,21%, sendo negociada a R$ 49,42 e se destacando como o papel mais negociado na B3. Os papéis ordinários (PETR3) também apresentavam valorização de 2,22%, alcançando R$ 54,38 no mesmo período.
Do ponto de vista macroeconômico, o UBS BB enfatiza que a elevação dos preços do petróleo é um fator altamente positivo para a estatal. Conforme cálculos do banco, cada variação de US$ 1 no preço do barril de petróleo impacta o dividend yield anual da Petrobras em aproximadamente 0,2 ponto percentual. As projeções do banco para o Brent indicam US$ 85 no terceiro trimestre de 2026, US$ 80 no quarto trimestre do mesmo ano e US$ 75 por barril em 2027.
Em relação aos combustíveis no Brasil, a análise prevê a manutenção dos subsídios. Os preços líquidos projetados são de R$ 3,05 por litro para a gasolina e entre R$ 4,65 e R$ 5,42 por litro para o diesel nos terceiro e quarto trimestres de 2026. Para 2027, o UBS BB estima crack spreads de US$ 11 por barril para a gasolina e US$ 50 para o diesel, com uma normalização do diferencial do diesel para US$ 21 por barril a partir de 2028. O relatório aponta que o Brasil figura entre os países com menores aumentos nos preços de bomba desde o início do conflito no Oriente Médio, graças a subsídios governamentais e cortes de impostos.
Na perspectiva microeconômica, os analistas ressaltam a surpreendente performance da produção da Petrobras. Em agosto, a petroleira produziu 2,89 milhões de barris por dia, elevando a produção acumulada no ano para 2,69 milhões de barris por dia. Esses números superam a projeção do banco de 2,73 milhões de barris por dia em 2026, bem acima do guidance da estatal (2,50 milhões). Para 2027, o UBS BB estima uma produção de 2,84 milhões de barris por dia, também acima dos 2,60 milhões projetados pela empresa.
Apesar do otimismo geral, o relatório observa que o segmento de refino ainda opera abaixo dos níveis desejados. No segundo trimestre, a Petrobras foi a única entre seus pares da América Latina, América do Norte e Europa a registrar queda sequencial no Ebitda por barril nesse negócio. Quanto aos investimentos (capex), a equipe do UBS BB reconhece a clareza da administração sobre o aumento dos desembolsos, aproveitando o fluxo de caixa “extraordinário” gerado pela maior produção e preços de venda. Contudo, alertam que um capex “muito maior do que o esperado, com ou sem fusões e aquisições, representa um dos principais riscos para a perspectiva positiva”.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/petrobras-petr4-e-a-companhia-mais-bem-posicionada-no-cenario-de-petroleo-elevado-diz-ubs-bb-lils/



