O recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na última sexta-feira (11), sublinha a solidez dos fundamentos que sustentam as cotações do milho e da soja. A avaliação de Luiz Fernando Gutierrez, analista da Hedgepoint Global Markets, aponta para um impacto levemente altista no mercado de milho e entre neutro e levemente altista para a soja, embora o histórico de valorização recente possa abrir espaço para ajustes.
Conforme Gutierrez, as revisões apresentadas pelo USDA não destoaram significativamente das expectativas de mercado. Apesar disso, os números não indicam um cenário baixista para os grãos, mantendo um suporte significativo aos preços, principalmente por fatores intrínsecos a cada cultura.
Milho: Oferta Reduzida e Demanda Externa em Destaque
Para o milho, o USDA confirmou uma redução tanto na produção quanto nos estoques norte-americanos. O corte na estimativa de safra superou o ajuste nos estoques, o que justifica a análise de um viés levemente otimista para o cereal. Gutierrez ressalta que os estoques, projetados abaixo de 40 milhões de toneladas, combinados com a robusta demanda por exportação, funcionam como pilares para as cotações.
“Não vejo o milho apontando para baixo no curto e médio prazo”, afirmou o analista. Ele reconhece que, após as valorizações já observadas, pode haver espaço para realizações de lucros e correções. Contudo, a produção mais enxuta, estoques mais apertados e a contínua demanda internacional solidificam o patamar de preços. O suporte, segundo Gutierrez, decorre predominantemente dos fundamentos do próprio milho, com fatores indiretos, como o mercado de energia, desempenhando um papel secundário.
Soja: Exportações Impulsionam Cenário, Mesmo com Produção Maior
No caso da soja, o relatório do USDA elevou ligeiramente a projeção de produção nos Estados Unidos, um movimento que já era antecipado por parte do mercado após dados anteriores da Pro Farmer. O ponto mais relevante, na visão de Gutierrez, reside no fato de que o aumento da oferta foi acompanhado por uma redução nos estoques, impulsionada pela forte demanda de exportação.
“Mesmo que a oferta esteja crescendo nos Estados Unidos, o estoque está caindo”, pontua o analista, destacando a importância da demanda. Ele menciona a expressiva procura e novas aquisições por parte da China como fatores cruciais para o suporte da oleaginosa. O especialista também coloca no radar possíveis desdobramentos de um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o final de setembro, que poderia trazer novidades ao cenário.
Nesse contexto, a demanda assume maior peso na avaliação de Gutierrez do que o crescimento da safra americana. Embora a revisão altista da produção possa ter incentivado investidores a reduzir posições compradas e a realizar lucros, explicando a recente correção de preços, isso não sinaliza uma alteração nos fundamentos que sustentam o mercado da soja.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/sobe-ou-desce-relatorio-do-usda-sinaliza-suporte-para-milho-e-soja-aponta-analista-pads/



