Mesmo com a taxa básica de juros caindo para 14,25%, alguns FIIs continuam entregando retornos maiores que o CDI, atraindo olhares de investidores.
Em um momento crucial para o mercado financeiro, a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano reconfigura o cenário de investimentos no Brasil. Com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) acompanhando o movimento para cerca de 14,10%, a busca por opções que superem a renda fixa se intensifica. É nesse contexto que 16 Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) se destacam, mantendo um pagamento de dividendos superior ao CDI, além de um retorno total positivo nos últimos doze meses.
O que aconteceu
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual marca o início de um novo ciclo para a economia brasileira. Enquanto o Federal Reserve dos Estados Unidos optou por manter seus juros inalterados, o Brasil sinaliza uma direção de estímulo. Para quem investe, essa mudança significa que as aplicações mais conservadoras, como as atreladas ao CDI, passam a render menos. Isso empurra muitos a buscar alternativas mais rentáveis, como os FIIs.
Um levantamento realizado pelo InfoMoney, utilizando dados da Economatica, revelou que, mesmo com a Selic mais baixa, 16 FIIs conseguiram entregar um percentual de dividendos (dividend yield) acima do patamar do CDI. O estudo analisou fundos que compõem o Ifix, o índice dos FIIs mais negociados na bolsa, e considerou o rendimento distribuído nos últimos 12 meses em relação ao preço da cota de um ano atrás. A data de referência para os dados foi 17 de junho de 2026.
Entenda o caso
A maioria dos fundos imobiliários em evidência são os chamados “fundos de papel”, que investem em títulos de dívida do setor imobiliário, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses fundos são beneficiados por taxas de juros mais altas, pois muitos de seus títulos rendem com base em índices como o CDI ou a Selic, que ainda estão em patamares elevados na visão histórica.
Contrariando a tendência, três fundos de “tijolo” – aqueles que investem diretamente em imóveis físicos – também apareceram na lista, todos focados em shoppings. Este segmento tem demonstrado forte recuperação, com poucas lojas vagas e vendas em crescimento. A expectativa é que, com a queda contínua dos juros, os fundos de tijolo ganhem ainda mais impulso, já que o custo de financiamento para novos projetos diminui e o consumo tende a aumentar.
É fundamental, contudo, que o investidor vá além do dividend yield. A consistência dos pagamentos, a qualidade dos ativos que compõem o fundo, o nível de endividamento e a sensibilidade do fundo às variações da taxa de juros são fatores cruciais para transformar o rendimento nominal em uma renda efetiva e previsível ao longo do tempo.
Impacto para a população e os investidores
Para os milhares de investidores brasileiros, incluindo aqueles em Goiás e no Centro-Oeste, a busca por rendimentos consistentes em um ambiente de juros em queda é um desafio. Os FIIs que superam o CDI tornam-se uma alternativa interessante para quem busca diversificação e potencial de valorização. No entanto, a análise individual de cada fundo é indispensável.
Entre os destaques, o BTG Pactual Shoppings (BPML11) apresentou o maior retorno total, com valorização de 28,47% em 12 meses, impulsionado, em parte, por distribuições extras de uma venda em 2025. O Capitânia Shoppings (CPSH11), outro fundo de tijolo, tem mantido uma ocupação de quase 98% em seus shoppings. Já o Manatí Capital Hedge Fund (MANA11), um fundo com foco em estratégias diferenciadas e crédito estruturado, atraiu um grande número de novos cotistas, sendo o maior pagador de proventos entre os ‘hedge funds’ imobiliários em 2025.
Fundos como o Valora CRI CDI (VGIR11) e o Riza Akin (RZAK11), que possuem grande parte da carteira indexada ao CDI ou utilizam alavancagem, precisam ser observados com cautela. Enquanto o primeiro tende a ter seus proventos comprimidos com a queda da Selic, o segundo oferece distribuições elevadas, mas com um risco adicional que o investidor precisa considerar cuidadosamente.
A queda da Selic aponta para um cenário de maior atratividade para o mercado imobiliário e para os fundos que investem nele. No entanto, a escolha criteriosa e a compreensão dos riscos e das características de cada FII são essenciais para quem busca construir uma carteira de investimentos sólida e rentável.
Fonte: https://www.infomoney.com.br



