Seleções de elite adotam jogadas inspiradas em rúgbi para avançar no campo e surpreender adversários.
A Copa do Mundo de 2026 está expondo uma mudança tática no futebol que pode pegar muitos de surpresa. O que antes era visto como um lance improvisado ou até um sinal de desespero – o famoso “chutão” na saída de bola – agora se tornou uma estratégia calculada, com times abrindo mão da posse imediata para ganhar terreno e pressionar o adversário. A tática, que vem sendo adaptada de esportes como o rúgbi e o futebol americano, promete mudar a forma como as partidas começam e se desenvolvem.
O que aconteceu
As primeiras rodadas do Mundial já mostraram a tendência em campo. No jogo de abertura do Grupo I, entre França e Senegal, ambos os times optaram por iniciar o primeiro e o segundo tempo com um lançamento longo em direção à linha de fundo adversária. A ideia não é manter a posse, mas sim empurrar o jogo para perto do gol rival, invertendo a lógica tradicional da construção de jogadas desde a defesa.
Essa abordagem já vinha sendo aprimorada no futebol de clubes, com o Paris Saint-Germain (PSG) do técnico Luis Enrique se destacando no uso dos chutões em suas campanhas vitoriosas na liga francesa e na Champions League. A estratégia de avançar as linhas e explorar a bola aérea ou o rebote rapidamente foi replicada por seleções.
O Marrocos, adversário do Brasil na estreia, aplicou a tática em sua saída de bola após sofrer o gol de Vini Jr. Já o Panamá, sob o comando de Thomas Christiansen, foi ainda mais ousado contra Gana: nos acréscimos, após levar um gol, nove jogadores de linha correram para a área adversária enquanto a bola era lançada em profundidade. Até mesmo a Seleção Brasileira, em sua vitória contra o Haiti, utilizou uma versão mais sutil, com o goleiro Alisson lançando a bola para o campo de ataque, permitindo que a defesa ganhasse metros e posicionamento.
Entenda o caso
Apesar de parecer contraintuitivo perder a posse de bola logo no início, o consultor tático Vyni Valença explica que o objetivo principal é outro: ganhar espaço em campo. “Essa é uma estratégia que se baseia em ganhar metros e tem influência em outros esportes. Assim como o basquete serve de base para os bloqueios nas jogadas de bola parada, acredito que o rúgbi está por trás dessa jogada de ficar mais próximo ao gol adversário”, pontua Valença.
Outro ponto crucial é a confiança dos atletas. Em geral, os primeiros passes de uma partida costumam ser simples para que o jogador evite erros e comece o jogo em um estado mental positivo. Ao lançar a bola para o campo adversário, a equipe transfere a pressão para o oponente, forçando-o a trabalhar sob a marcação e perto de sua própria meta. “Nessa primeira jogada, você coloca o seu adversário em uma situação de pressão, na lateral, próximo ao gol, para sufocar e pressionar lá em cima”, completa o especialista.
Impacto para a população
Para o torcedor que acompanha as partidas, essa nova estratégia significa uma mudança no ritmo e na estética do jogo. Pode ser que a fase de “construção” da jogada, com a bola saindo suavemente da defesa, se torne menos frequente. Em vez disso, o público verá mais lançamentos diretos, com disputas intensas pela segunda bola no campo de ataque adversário. Isso adiciona uma camada tática diferente à experiência, onde a capacidade de duelar no alto e a agressividade na recuperação da posse se tornam ainda mais relevantes.
Ainda que possa desagradar aos puristas do toque de bola, a adaptação mostra como o futebol continua evoluindo, buscando inspiração em outras modalidades para encontrar vantagens competitivas. Essa “feia” tática dos chutões, portanto, não é um acaso, mas um movimento planejado que reconfigura as estratégias iniciais das grandes partidas, prometendo mais dinamismo e surpresas para os amantes do esporte.
Fonte: https://placar.com



