A Venezuela enfrenta uma das piores tragédias naturais de sua história recente, com dois terremotos na quarta-feira (24) que resultaram em pelo menos 188 mortos e mais de 1.500 pessoas desaparecidas. O balanço, divulgado nesta quinta-feira (25) pelo presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, mostra um cenário de devastação e mobiliza esforços de resgate e solidariedade internacional.
A capital Caracas e, principalmente, a região de La Guaira, onde está localizado o aeroporto principal do país, foram as mais atingidas. A dimensão dos tremores causou o colapso de infraestruturas essenciais e a interrupção de serviços, mergulhando diversas comunidades em um estado de alerta e desespero.
O que aconteceu
Os dois fortes abalos sísmicos que atingiram a Venezuela na quarta-feira causaram um impacto imediato e profundo. Autoridades estimam que ao menos 346 estruturas, incluindo edifícios residenciais, hospitais e centros comerciais, sofreram danos graves. Com o país em feriado nacional no momento dos tremores, muitos venezuelanos estavam em suas casas, elevando a preocupação de que o número de mortos possa crescer.
A busca por desaparecidos é intensa. Um site criado pela oposição já registra mais de 40 mil nomes de pessoas que não foram localizadas. Organizações humanitárias, como a Cruz Vermelha, reportaram danos em sua própria sede, mas conseguiram enviar equipes de resgate para as áreas mais necessitadas. A embaixada da França no país também foi seriamente afetada.
Em resposta à crise, as aulas foram suspensas até o final da semana, e a bolsa de valores de Caracas foi fechada, tendo sua estrutura redirecionada para apoiar os esforços de resgate. A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que seus cerca de 100 funcionários no território venezuelano estão ilesos e que suas equipes trabalham para conter o agravamento da crise humanitária.
Entenda o caso
A Venezuela está situada em uma área de alta atividade sísmica, na fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, o que a torna suscetível a terremotos. A história do país registra eventos devastadores, como o terremoto de 1812, que deixou cerca de 30 mil mortos. A localização geográfica é um fator crucial para entender a recorrência desses fenômenos na região.
Diante da calamidade, a tragédia gerou uma rara união de líderes políticos de diferentes vertentes, que manifestaram solidariedade e ofereceram ajuda. O Papa Leão XIV destinou 100 mil euros (aproximadamente R$ 600 mil) para as vítimas, através do escritório de caridade do Vaticano. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu o apoio internacional e anunciou a chegada iminente de equipes de resgate de outros países, mencionando o auxílio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.
Em Morón, uma das cidades mais atingidas, o Complexo Petroquímico, o segundo maior do país, retomou suas operações nesta quinta-feira, após uma paralisação preventiva. Inicialmente, havia a preocupação com um possível vazamento e danos à infraestrutura, levando à orientação para que os trabalhadores não comparecessem. As estatais Pequiven e PDVSA não emitiram comunicados sobre a situação de suas operações, mas outras infraestruturas petrolíferas não foram, aparentemente, afetadas. Empresas internacionais como Chevron, Shell, Eni e Repsol confirmaram que todos os seus funcionários estão seguros.
Impacto para a população
A população venezuelana enfrenta agora um desafio imenso. Além da dor das perdas e da incerteza sobre os desaparecidos, há uma preocupação crescente com a crise humanitária. A instabilidade nos serviços de telefonia dificultou o contato, levando a missão de direitos humanos da ONU a pedir que o governo suspenda as restrições às redes sociais, classificando a medida como uma questão de vida ou morte para a comunicação e busca por informações.
Comunidades de venezuelanos no exterior estão se organizando em campanhas de arrecadação, enquanto famílias tentam, muitas vezes sem sucesso, estabelecer contato com parentes nas áreas isoladas. A suspensão de aulas e o fechamento de setores econômicos impactam diretamente o cotidiano e o futuro imediato dos cidadãos.
O Brasil também se mobiliza para oferecer apoio. O Ministério da Saúde informou que está em contato com autoridades venezuelanas para enviar insumos e profissionais de saúde. O ministro Alexandre Padilha acionou a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para colaborar nas ações. O presidente Lula, após reunião com ministros e conversa com a presidente Delcy Rodríguez, garantiu que o Brasil está pronto para enviar todo tipo de ajuda necessária, incluindo água, bombeiros, defesa civil, comida e remédios, reforçando o esforço regional para auxiliar o país vizinho a superar a catástrofe.
As equipes de resgate e autoridades locais continuam os trabalhos de avaliação e reparo, com a expectativa de que novas informações sobre vítimas e danos sejam atualizadas nos próximos dias, enquanto o país busca se reerguer da devastação.



