Preço da carne bovina pode disparar no fim do ano e superar R$ 360 em Goiás e no Brasil

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Consumidores devem se preparar para uma alta nos valores; especialistas apontam menor oferta e forte demanda.

Os brasileiros que já sentem o peso do preço da carne bovina no orçamento devem se preparar para mais um aumento. Analistas de mercado indicam que a arroba do boi gordo, referência para o custo da carne, pode ultrapassar os R$ 360 no último trimestre deste ano. A expectativa é que uma combinação de fatores, que vão desde a demanda internacional até a oferta de animais no campo, pressione os preços para cima, impactando diretamente o bolso de quem consome.

O que está acontecendo agora no mercado

Atualmente, o mercado da carne vive um período de instabilidade. Os frigoríficos reduziram o ritmo de compras, buscando organizar a produção diante da previsão de que as cotas de exportação de carne do Brasil para a China — que permitem a entrada do produto sem tarifas adicionais de 55% — serão preenchidas até o final de julho. Essa incerteza tem gerado uma redução nos abates e até mesmo a possibilidade de férias coletivas em algumas unidades.

Essa situação reflete a volatilidade causada pelas medidas de proteção comercial da China. Com um cenário de preços futuros pouco atrativos, o incentivo para o confinamento de gado diminuiu, resultando em uma ocupação menor de currais pelo país. Em estados produtores como Goiás, a arroba do boi gordo já sentiu os efeitos: em Goiânia, o valor era de R$ 320 em 25 de junho, uma queda de 1,54% em relação à semana anterior.

Entenda os motivos da possível alta

Apesar da pressão atual, a previsão para o último trimestre é de valorização consistente. Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, explica que o retorno da demanda chinesa, focada na nova cota de exportação para 2027, a forte procura esperada pelos Estados Unidos e o pico de consumo no mercado interno, típico do fim de ano, devem sustentar essa alta.

Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, complementa que outros fatores contribuem para a expectativa de que a arroba supere a máxima do ano (R$ 360). Ele cita a menor participação de fêmeas no abate, que tende a impulsionar o preço dos machos, e a movimentação econômica do período eleitoral no Brasil, que geralmente aumenta a circulação de dinheiro no país. Além disso, a geração de empregos temporários, bonificações e festas de fim de ano impulsionam o consumo.

Do lado da oferta, a combinação de menor incentivo ao confinamento e o alongamento do período de seca devido ao fenômeno El Niño pode resultar em uma baixa disponibilidade de animais prontos para abate, especialmente os criados a pasto. A estação de monta no Brasil também estimula a retenção de matrizes, o que, junto aos preços da reposição, acelera o cenário de alta para o fim do ano.

Impacto para a população e para Goiás

Para o consumidor, a previsão é clara: preços mais altos nas gôndolas dos supermercados. Essa valorização da arroba impacta diretamente o valor final da carne vendida nos açougues e restaurantes, elevando o custo da alimentação. Em estados como Goiás, onde a pecuária tem grande representatividade, a flutuação desses preços é sentida tanto no campo quanto na mesa do cidadão.

A menor competitividade da carne bovina em relação a outras proteínas, como frango e suíno, também pode levar muitos consumidores a buscar alternativas mais em conta para o dia a dia. A entrada de salários no início de cada mês tende a dar um respiro ao mercado atacadista, mas a tendência geral para o fim do ano é de um aumento no valor da carne, exigindo mais planejamento financeiro das famílias.

A dinâmica do mercado pecuário brasileiro, influenciada por fatores globais e internos, continua a moldar o panorama econômico e o cotidiano das famílias, especialmente aquelas que veem a carne bovina como um item essencial na dieta.