Preço do Boi Gordo Despenca em Junho e Pecuária Goiana Sente o Peso

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Queda acentuada nas cotações da arroba em todo o Brasil impacta diretamente produtores, com frigoríficos ajustando produção à menor demanda chinesa.

O mercado do boi gordo encerrou junho em forte baixa, com a arroba caindo em praticamente todas as principais praças produtoras do Brasil. Em Goiânia, por exemplo, o recuo foi de 3,03%, afetando diretamente os pecuaristas goianos. A principal razão para esse cenário é o ajuste da indústria frigorífica, que diminuiu o ritmo de produção após uma redução temporária nas compras de carne bovina pela China, o maior destino do produto brasileiro.

O que aconteceu

A desaceleração das exportações levou muitos frigoríficos a diminuir a capacidade de abate e até mesmo a conceder férias coletivas em diversas unidades. O objetivo é adequar a oferta de carne ao novo ritmo de vendas, especialmente considerando as expectativas para o terceiro trimestre. Além de Goiânia, onde a arroba recuou para R$ 320, outras regiões também registraram quedas significativas. Em São Paulo, o preço da arroba fechou em R$ 335, uma baixa de 5,63% em relação a maio. Dourados (MS) teve a maior retração, de 8,57%, com a arroba a R$ 320. Em Cuiabá (MT), a queda foi de 7,04%, para R$ 330, enquanto Uberaba (MG) e Vilhena (RO) também sentiram o impacto, com valores em R$ 315 e R$ 320, respectivamente.

Entenda o caso

O primeiro semestre de 2024 foi marcado por grande instabilidade no mercado do boi gordo. As oscilações constantes, muitas delas relacionadas às salvaguardas comerciais impostas pela China, fizeram com que os preços variassem intensamente. As indústrias tiveram que reagir rapidamente às mudanças no cenário internacional, o que gerou um ambiente de incerteza para os produtores. Diante dessa volatilidade, a orientação para os pecuaristas é buscar ferramentas de proteção de preços, visando minimizar os riscos financeiros em um mercado tão imprevisível.

Impacto para a população

A queda nos preços do boi gordo reflete-se também no mercado atacadista de carne, embora de forma mais complexa para o consumidor final. Mesmo com a expectativa de aumento no consumo durante a Copa do Mundo, o setor registrou baixa em junho. A carne bovina perdeu competitividade frente a outras proteínas, como a carne de frango, que se manteve mais barata e atrativa nos supermercados. Isso significa que, enquanto o produtor rural enfrenta um período de margens apertadas, o consumidor pode encontrar opções mais em conta nas gôndolas, ainda que os cortes de carne bovina tenham tido quedas pontuais: o quilo do quarto dianteiro recuou para R$ 21,00 (-2,33%) e os cortes do traseiro para R$ 25,50 (-5,56%) em junho.

A necessidade de ajustar a produção à demanda externa e a competitividade com outras proteínas indicam que o mercado do boi gordo deve permanecer sob observação atenta nos próximos meses. Produtores e consumidores em Goiás e em todo o Brasil aguardam os próximos movimentos desse setor tão vital para a economia.

Fonte: https://www.canalrural.com.br