Brasil alça voo para liderar produção global de combustível de aviação sustentável

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Nova legislação e forte agricultura colocam o país em posição única na corrida pela descarbonização global. O Brasil está cada vez mais próximo de se consolidar como um protagonista mundial na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e biobunker, alternativas energéticas cruciais para a descarbonização dos setores aéreo e marítimo. Impulsionado por uma legislação moderna e o vasto potencial de sua agricultura, o país detém uma vantagem competitiva quase exclusiva, um cenário que promete impulsionar a economia e o desenvolvimento tecnológico.

O que aconteceu

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o apoio da Embrapa Agroenergia, promoveu um encontro recente para debater o futuro desses combustíveis. Durante a 4ª edição do evento “Agroenergia – Transição Energética Sustentável”, Gustavo Mariano, vice-presidente de Trading da Inpasa, destacou o papel central do Brasil. Segundo ele, a capacidade agrícola do país para converter grãos, óleo, etanol e biodiesel em SAF e biobunker é um diferencial decisivo no cenário global.

Mariano ressaltou também a importância da aprovação da Lei do Combustível do Futuro, que estabelece uma demanda regulatória no país. A nova legislação prevê a adição obrigatória de SAF nos combustíveis de aviação, iniciando com 1% e aumentando progressivamente até alcançar 10% em 2037. Esse movimento, segundo o executivo, reforça o potencial brasileiro para a descarbonização, mas o maior desafio agora é ampliar a escala da produção e reduzir os custos para que o SAF se torne competitivo no mercado.

Entenda o caso

O Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o biobunker são biocombustíveis desenvolvidos para reduzir drasticamente as emissões de carbono nos transportes, combatendo as mudanças climáticas. Eles são produzidos a partir de fontes renováveis, como resíduos agrícolas, óleos vegetais ou outras biomassas, representando uma peça-chave na estratégia global de sustentabilidade.

O Brasil, com sua vasta produção agrícola, possui uma diversidade de matérias-primas que permite explorar praticamente todas as rotas de produção de SAF, uma capacidade rara no mundo. A Lei do Combustível do Futuro não apenas cria um mercado garantido para esses produtos, mas também sinaliza o comprometimento do país com a sustentabilidade e a inovação tecnológica no setor de transportes.

Impacto para a população

A expansão da produção de SAF e biobunker no Brasil promete gerar uma série de impactos positivos para a população. Economicamente, o setor pode criar novos empregos, tanto no campo, com a demanda por matérias-primas, quanto na indústria, com o processamento e a distribuição dos biocombustíveis. Regiões com forte vocação agrícola, como Goiás, podem se beneficiar diretamente desse crescimento, atraindo investimentos e gerando renda.

Ambientalmente, a substituição gradual dos combustíveis fósseis por alternativas sustentáveis contribui para um ar mais limpo e para o enfrentamento da crise climática, o que se traduz em melhor qualidade de vida para todos. Contudo, o sucesso dessa transição também depende da participação ativa do Brasil nas discussões internacionais sobre critérios de sustentabilidade. O executivo da Inpasa alertou para a necessidade de o país evitar que regulamentações externas, sem base técnica, possam excluir os produtos brasileiros do mercado global. A competitividade do SAF e sua acessibilidade para o consumidor final, seja via passagens aéreas mais baratas ou fretes menos custosos, são pontos cruciais a serem observados na evolução desse mercado.

Com seu grande potencial agrícola e uma política energética voltada para a sustentabilidade, o Brasil está posicionado para ser um dos líderes na revolução dos combustíveis limpos. A transformação de desafios como a escala de produção e a participação ativa no debate global em oportunidades definirá o sucesso dessa jornada rumo a um futuro mais verde e economicamente próspero.

Fonte: https://www.canalrural.com.br