Uma mulher negra e intelectual que desafiou as convenções do início do século XX para se tornar a primeira autora a publicar um livro em Goiás.
A história de Leodegária Brazília de Jesus, nascida em 1889, um ano após a abolição da escravatura, é um marco fundamental para a literatura brasileira e, em especial, para o estado de Goiás. Sua trajetória como professora e poeta abriu portas e inspirou gerações, transformando o cenário cultural goiano.
O que aconteceu
Com apenas 17 anos, em 1906, Leodegária de Jesus fez história ao publicar “Corôa de Lyrios”. Este não foi apenas seu primeiro livro, mas o primeiro livro de poesia assinado por uma mulher em todo o estado de Goiás. A obra, carregada de elementos do Romantismo, explorava temas de amor familiar, romântico e erótico, um feito notável para a época.
Vinte e dois anos depois, em 1928, Leodegária consolidou sua presença na literatura goiana com o lançamento de seu segundo e último livro, “Orchideas”. Seu pioneirismo é ainda mais evidente quando se observa que somente em 1954, quase meio século após a estreia de Leodegária, outra mulher goiana, Regina Lacerda, publicaria um livro de poesias.
Entenda o caso
O período em que Leodegária de Jesus emergiu como escritora foi de profundas transformações no Brasil, com a transição do Império para a República. Em Goiás, a intelectualidade ainda era predominantemente masculina e branca. Nesse contexto, a voz de Leodegária, uma mulher negra, representou um ato de resistência e afirmação, quebrando barreiras e abrindo espaço para futuras gerações de escritoras.
Sua vida e obra se entrelaçam com as de outra figura lendária da literatura goiana: Cora Coralina. Ambas nasceram no mesmo ano, em 1889, em Goiás, e compartilharam não apenas laços de amizade, mas também espaços educacionais e culturais. Juntas, Leodegária e Cora Coralina fundaram o jornal “A Rosa” em 1907, mostrando a força e a colaboração entre as duas.
Impacto para a população
A contribuição de Leodegária de Jesus vai muito além de suas publicações. Ela pavimentou o caminho para a participação feminina na literatura de Goiás, mostrando que a arte e a inteligência não tinham cor, gênero ou classe social. Seu exemplo é um lembrete poderoso da importância de resgatar e celebrar as vozes que, muitas vezes, foram apagadas da história oficial.
A vida de Leodegária, que faleceu em 1978 em Belo Horizonte aos 88 anos, serve como inspiração. Reconhecer seu legado hoje é fundamental para valorizar a diversidade cultural e intelectual de Goiás e do Brasil, e para inspirar novas gerações a perseguir seus sonhos, independentemente dos desafios.



