Ibovespa: Fuga de Capital Estrangeiro e Incertezas Globais ditam queda em agosto; Agro desponta

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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, reverteu a valorização de julho e encerrou o mês de agosto com uma leve desvalorização, reflexo da intensa saída de investidores estrangeiros em meio a preocupações fiscais domésticas e a um cenário macroeconômico global desafiador. Apesar de uma melhora nos dados de inflação na reta final do período, o índice não conseguiu sustentar a recuperação e fechou o último pregão aos 177.418,78 pontos.

Durante o mês, o Ibovespa registrou um recuo de 0,33%. Paralelamente, o dólar à vista demonstrou força ante o real, acumulando uma valorização de 2,16% e encerrando agosto cotado a R$ 5,1801.

A dinâmica do capital estrangeiro foi um dos fatores preponderantes para os movimentos do mercado acionário brasileiro. Instituições financeiras globais como JP Morgan e Morgan Stanley rebaixaram suas recomendações para o Brasil e suas ações. O JP Morgan, em 11 de agosto, mudou sua perspectiva de ‘overweight’ para ‘neutra’, citando um ciclo de flexibilização monetária próximo do fim, desaceleração econômica e deterioração do crédito. Essa decisão precedeu uma sequência de onze quedas consecutivas para o Ibovespa, com a percepção de que riscos fiscais e eleitorais, incluindo a baixa probabilidade de um ajuste fiscal crível em caso de eventual reeleição presidencial, entraram de forma mais proeminente no radar dos investidores internacionais. O Morgan Stanley, por sua vez, passou a enxergar a relação risco-retorno no mercado brasileiro com maior cautela, mencionando a desaceleração econômica interna, preocupações fiscais persistentes e incertezas em relação à continuidade das políticas, que elevam os riscos de queda, especialmente em setores mais expostos à economia.

O cenário internacional também exerceu pressão. Os títulos do Tesouro dos EUA de 30 anos alcançaram patamares não vistos desde meados de 2002, superando 5,3%, repercutindo em mercados de dívida globais. Além da dívida americana ter ultrapassado a marca de US$ 40 trilhões, a concorrência com títulos japoneses e dívidas corporativas adicionou complexidade. A intervenção do Tesouro dos EUA para recomprar títulos de médio e longo prazo, embora tenha surpreendido o mercado, foi vista por analistas como uma medida que pode melhorar o funcionamento do mercado, mas não resolve o desequilíbrio fiscal subjacente. Adicionalmente, declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em Jackson Hole, e o avanço de 0,2% do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) em julho, anteciparam as expectativas de alta de juros nos Estados Unidos para setembro, intensificando a aversão ao risco.

Apesar dos ventos contrários, a reta final de agosto trouxe um alívio com dados de inflação mais favoráveis. A prévia do mês revelou uma deflação de 0,40%, mais intensa do que o previsto pelo mercado e com um qualitativo melhor, fortalecendo a perspectiva de novos cortes na taxa Selic. A XP Investimentos, por exemplo, revisou suas estimativas para a Selic em 2026, projetando uma taxa de 13,25%, e indicando a expectativa de continuidade nos cortes, mesmo em período eleitoral. Contudo, essa melhora não foi suficiente para reverter a tendência de queda do Ibovespa.

No campo das ações, a SLC Agrícola (SLCE3) brilhou, liderando as altas do Ibovespa com um salto de 19,66% em agosto. A empresa de agronegócio foi impulsionada por upgrades de recomendação de bancos como o UBS BB, que elevou a SLC de ‘venda’ para ‘neutra’, e o BTG Pactual, que reforçou a recomendação de ‘compra’. Analistas citam a recuperação dos preços das commodities agrícolas e a capacidade da companhia de gerar valor ao longo dos ciclos como fatores positivos. Outras empresas, como Fleury, MRV e Totvs, também registraram valorizações significativas.

Na contramão, a Hapvida (HAPV3) amargou a maior queda do mês, despencando 41,49%. O resultado foi consequência da divulgação de um balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) muito abaixo das expectativas, com lucro líquido ajustado em queda de 95,8% em relação ao ano anterior e uma taxa de sinistralidade elevada. A repercussão foi imediata, com a gestora Squadra, que liquidou suas posições na companhia, classificando o investimento como ‘o maior erro’ de sua história. Companhias como Lojas Renner e Marcopolo também figuraram entre as maiores perdas do índice.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ibovespa-agosto-26-apsa/