Os preços do ouro registraram uma queda expressiva de 1% nesta sessão, perdendo o patamar de US$ 4.500 por onça-troy, após um relatório surpreendentemente robusto sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos fortalecer as expectativas de um aperto monetário por parte do Federal Reserve.
Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de ouro para entrega em dezembro encerrou o dia com desvalorização de 1,37%, fixando-se em US$ 4.476,6 por onça-troy. No acumulado da semana, a commodity cedeu 1,15%. A prata, também para dezembro, acompanhou a tendência de baixa, recuando 1,41% para US$ 66,74 por onça-troy, com perdas de 1,53% na semana.
O relatório de empregos de agosto, conhecido como payroll, que superou as projeções dos analistas, reacendeu a possibilidade de que o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, possa promover novos aumentos nas taxas de juros em suas próximas reuniões. Tal perspectiva impulsiona a valorização do dólar e eleva os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries), movimentos que classicamente exercem pressão negativa sobre a cotação do metal precioso.
Analistas do ING reforçam a visão de que os dados de agosto fortalecem a argumentação para uma elevação de juros em setembro, embora o foco se desloque agora para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da próxima semana. Segundo o banco, a inflação dificilmente será fraca o bastante para impedir um novo aperto monetário. Em um cenário alternativo, o Commerzbank aponta que se os números do CPI indicarem apenas pressões moderadas, isso poderia aliviar as expectativas sobre as taxas de juros, beneficiando o ouro.
Em um movimento paralelo e de caráter mais geopolítico, o Banco Central da Holanda recentemente transferiu cerca de US$ 12 bilhões em ouro do Federal Reserve de Nova York para Londres, seguindo o precedente estabelecido pelo banco central francês. O Nobel de Economia Paul Krugman interpretou essas ações como um reflexo do crescente nível de desconfiança em relação ao governo norte-americano. Contudo, Krugman minimiza o impacto econômico ou financeiro direto de tais transferências, explicando que, na prática, não envolvem grandes remessas físicas. Em vez disso, os bancos centrais estrangeiros geralmente vendem seu ouro depositado em Nova York para compradores privados nos EUA e o substituem por novas aquisições de vendedores privados na Europa.
Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/ouro-4-9-26-apsa/



