A queda de um galho de grande porte de uma gameleira na Praça da Cirrose, no Setor Oeste de Goiânia, na noite do último sábado (19), trouxe novamente ao centro do debate público a complexa questão do manejo e da remoção de árvores consideradas de risco na capital. Apesar de ter ocorrido em uma área com fluxo constante de pedestres, felizmente não houve registro de feridos, e a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) agiu rapidamente na remoção do material, liberando a via.
O local do incidente não é desconhecido de polêmicas. Anteriormente, a Praça da Cirrose havia sido palco de mobilizações por parte de moradores que se opunham à remoção de quatro gameleiras, mesmo após a administração municipal ter apontado, com base em avaliações ambientais prévias, que as árvores apresentavam risco iminente de queda.
O prefeito Sandro Mabel (UB) utilizou o ocorrido para reforçar a importância das intervenções preventivas. “Quando a prefeitura faz a extirpação de árvores condenadas, é para preservar vidas. Esse galho da gameleira no Setor Oeste, que fomos proibidos de cortar, poderia ter machucado pessoas, inclusive crianças. Graças a Deus ninguém ficou ferido, embora houvesse pessoas debaixo da árvore”, afirmou o prefeito, sublinhando os perigos de se interromper o trabalho de manejo em árvores laudadas.
Como desdobramento direto dessa discussão, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que visa a estabelecer a responsabilização civil para aqueles que atuarem no bloqueio ou atraso da extirpação de árvores tecnicamente condenadas. A proposta prevê que, em situações de quedas e eventuais prejuízos durante o período de suspensão do trabalho, os responsáveis pelo impedimento poderão ser acionados judicialmente para arcar com os danos causados.
O episódio na Praça da Cirrose soma-se a outros registros recentes de quedas de árvores em Goiânia, frequentemente associados a ventanias. Em 1º de setembro, por exemplo, veículos foram atingidos por árvores caídas no Setor Leste Vila Nova e no bairro Vila João Vaz, sem, contudo, registrar vítimas em nenhuma das ocorrências.
A gestão da arborização urbana na capital é uma atribuição compartilhada entre diferentes órgãos municipais e concessionárias, visando a garantir a segurança e a vitalidade da vegetação. A Comurg é encarregada das podas preventivas em canteiros centrais, praças e rotatórias, além de realizar o recolhimento emergencial de árvores e galhos em vias públicas.
A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) é responsável pelas vistorias técnicas e pela emissão de laudos para intervenções em calçadas, parques e áreas públicas. Em imóveis privados, cabe ao proprietário solicitar a avaliação do órgão e, se autorizado, contratar uma empresa especializada para o serviço. É importante ressaltar que galhos em contato com a fiação de energia devem ser reportados diretamente à Equatorial Goiás, concessionária responsável, sendo expressamente proibida a poda por conta própria devido ao risco de descarga elétrica.
Como parte do esforço preventivo, a Comurg contabilizou a realização de mais de 150 mil podas preventivas em áreas públicas de Goiânia ao longo de 2026. A população pode solicitar serviços ou relatar situações de risco de forma ágil e direta por meio do aplicativo “Prefeitura 24h”, disponível para sistemas iOS e Android, informando o endereço exato e anexando fotos da ocorrência para otimizar o atendimento.
Fonte original: https://diariodegoias.com.br/queda-de-galho-de-gameleira-no-setor-oeste-reacende-impasse-sobre-corte-de-arvores-de-risco-na-capital/548012/



