Micropensões despontam como solução para aposentadoria de milhões de brasileiros

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Um novo modelo de previdência complementar, as micropensões, desponta como alternativa para milhões de brasileiros, especialmente trabalhadores informais, autônomos e profissionais de plataformas digitais, que buscam garantir uma renda futura na aposentadoria por meio de pequenas e flexíveis contribuições, endereçando uma das maiores preocupações sobre a estabilidade financeira na terceira idade.

Essa modalidade é caracterizada por sua simplicidade e pela flexibilidade de aportes, com valores e frequência ajustados à capacidade individual de pagamento. O objetivo central é permitir a formação de uma reserva previdenciária, antes restrita a quem tinha maior poder de poupança, para um público mais amplo.

Atualmente, as micropensões já estão acessíveis por meio de planos de previdência privada aberta. A Icatu Seguros, por exemplo, oferece produtos que aceitam contribuições iniciais a partir de R$ 50 ou R$ 100. Contudo, o acesso a essa modalidade ainda não é possível em planos de previdência fechada. A Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) tem defendido ativamente a necessidade de alterações na legislação brasileira para que fundos fechados também possam disponibilizar tais produtos.

Simulações realizadas pela Icatu Seguros ilustram o potencial de acumulação. Com aportes mensais fixos de R$ 50 a partir dos 18 anos até os 65, totalizando 47 anos de contribuição e considerando uma rentabilidade anual de 8% e juros reais de 5%, o saldo acumulado poderia atingir R$ 281.565. Esse montante seria suficiente para gerar uma renda mensal de R$ 1.492 por um período de 30 anos, antes da incidência de impostos.

Um estudo da Tivio Capital projeta que as micropensões poderiam abranger cerca de 38,5 milhões de trabalhadores no Brasil, incluindo motoristas de aplicativos, entregadores e outros profissionais da economia informal. Conforme a análise da Tivio, se um trabalhador contribuir com R$ 50 mensais durante 30 anos, alcançando um retorno real de 4% ao ano, o saldo acumulado seria de aproximadamente R$ 34,3 mil. Tal montante permitiria uma renda mensal de cerca de R$ 206, em valores atuais, por 20 anos. Esse valor, conforme projeção, representaria 13% do salário mínimo previsto para 2026.

Em um cenário de aportes mensais de R$ 200, a renda projetada poderia alcançar aproximadamente metade do salário mínimo. Esse modelo propõe que o trabalhador, ao destinar um pequeno valor mensal, construa no futuro uma renda complementar com poder de compra significativamente maior.

A urgência da inclusão previdenciária é enfatizada por Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp. “A inclusão previdenciária não pode começar apenas quando o trabalhador tiver condições de poupar R$ 200, R$ 300 ou R$ 500 por mês. Precisamos criar condições para que esse público com menor poder de poupança possa começar com R$ 50, ou até menos, e aumentar sua contribuição conforme sua capacidade financeira. O importante é que o custo não seja uma barreira para entrar e permanecer no sistema”, pontua Silva, reforçando a necessidade de acessibilidade.

Sandro Bonfim, presidente da Comissão de Produtos por Sobrevivência da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), complementa essa visão, destacando o crescimento consistente do mercado de previdência. Segundo Bonfim, o ganho de escala tem permitido à indústria reduzir as taxas administrativas e, consequentemente, aprimorar a rentabilidade oferecida aos investidores.

A relevância das micropensões é amplificada pela percepção generalizada de que a Previdência Social por si só pode não ser suficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria. Uma Pesquisa Nacional conduzida pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion revelou que 92% dos entrevistados acreditam na insuficiência do INSS para garantir estabilidade financeira no futuro. Apesar dessa preocupação latente, o levantamento mostra que 62% dos entrevistados ainda não possuem planos de previdência privada, evidenciando uma lacuna entre a percepção de risco e o planejamento concreto. Nesse contexto, as micropensões se apresentam como uma solução viável e de baixo custo para milhões de trabalhadores que dependem da Previdência Social e possuem capacidade limitada de poupança.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/entenda-o-que-e-micropensao-e-como-pode-ajudar-a-compor-uma-aposentadoria/