Paraná consolida legado e impulsiona a expansão do plantio direto no Brasil

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A agricultura brasileira celebra nesta sexta-feira (23) o Dia Nacional do Plantio Direto, uma data que reverencia uma das mais significativas inovações para o setor. O Paraná, em particular, é reconhecido como o berço dessa tecnologia revolucionária, que teve suas raízes no Norte do estado. A iniciativa surgiu da necessidade de agricultores e pesquisadores encontrarem soluções para mitigar a erosão do solo e promover a sua conservação, pavimentando o caminho para um modelo de produção rural mais sustentável e eficiente.

O Sistema Plantio Direto (SPD) fundamenta-se em três pilares essenciais: a mínima mobilização do solo, a manutenção de uma cobertura permanente, seja por palha ou plantas vivas, e a implementação da rotação de culturas. Segundo informações do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a adoção integrada dessas práticas resulta na diminuição substancial da perda de solo e água, no aprimoramento das características físicas, químicas e biológicas do solo, e no suporte crucial à sustentabilidade da atividade agropecuária.

Na prática, o modelo não apenas otimiza o uso de recursos produtivos, mas também reduz a dependência de operações mecanizadas e o consumo de combustíveis. A preservação da matéria orgânica e a melhoria da estrutura do solo são benefícios adicionais que potencializam a infiltração e o armazenamento de água, garantindo maior resiliência e produtividade ao longo do tempo.

A história do plantio direto no Brasil está intrinsecamente ligada ao pioneirismo paranaense. Em 1972, na cidade de Rolândia, o agricultor Herbert Bartz realizou o que é considerada a primeira semeadura comercial de soja sem o preparo convencional do solo na América Latina. Nos anos seguintes, a técnica ganhou força e escala em outras regiões do estado, impulsionada pela colaboração entre produtores e instituições de pesquisa.

O antigo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), hoje integrado ao IDR-Paraná, desempenhou um papel vital ao intensificar os estudos a partir de 1976. Seus esforços foram direcionados para adaptar o sistema às diversas condições edafoclimáticas das regiões produtoras, abordando aspectos como manejo e fertilidade do solo, mecanização agrícola, fitotecnia, uso de plantas de cobertura e controle integrado de pragas e doenças.

A expansão do plantio direto é evidenciada por dados robustos. O Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que mais de 33 milhões de hectares no Brasil eram cultivados com a tecnologia, representando 62% da área total destinada à produção de grãos. Rafael Fuentes Llanillo, pesquisador sênior do IDR-Paraná e coordenador de relações internacionais da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), projeta que, até 2026, a área sob plantio direto no país alcançará aproximadamente 45 milhões de hectares, equivalente a 65% das lavouras temporárias.

Globalmente, o sistema já abrange cerca de 300 milhões de hectares, conforme destacado por Llanillo. Para o IDR-Paraná, a continuidade do investimento em pesquisa, a oferta de assistência técnica qualificada e a correta aplicação dos princípios do plantio direto são cruciais para ampliar os ganhos agronômicos, econômicos e ambientais que essa tecnologia proporciona à agricultura mundial.

Fonte original: https://www.canalrural.com.br/agricultura/plantio-direto-reforca-legado-do-parana-na-conservacao-do-solo/