BTG Pactual Mapeia Formação do Governo Lula: Ajuste Fiscal Iminente e Nomes Chave para a Fazenda

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A formação do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a ganhar contornos e aponta para um cenário de ajuste fiscal iminente, conforme análise detalhada do BTG Pactual. O relatório do banco, que detalha os desafios e as possíveis escolhas para a Esplanada dos Ministérios, sinaliza que nomes como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, estão entre os mais cotados para assumir o Ministério da Fazenda, peça-chave para a condução da política econômica a partir de 2027.

Diante de um Congresso Nacional com composição mais desafiadora ao Partido dos Trabalhadores, a montagem da nova equipe ministerial exigirá uma combinação estratégica. O presidente deverá conciliar figuras de sua confiança, quadros com comprovada capacidade de negociação política e integrantes que possam demonstrar comprometimento com a estabilidade das finanças públicas. A expectativa, segundo o BTG, é que Lula busque ampliar a participação de legendas de centro, inclusive aquelas que apoiaram a oposição no segundo turno das eleições, crucial para a governabilidade.

A escolha para a pasta da Fazenda é vista como um dos principais indicadores da direção que a política econômica do país tomará. O relatório do BTG Pactual explora os perfis que poderiam assumir essa função estratégica, ciente das pressões políticas e econômicas que o governo enfrentará.

Geraldo Alckmin desponta como um dos nomes favoritos para liderar a Fazenda. Sua eventual nomeação seria interpretada pelo mercado como um sinal de maior abertura do governo para negociar ajustes fiscais e controlar os gastos. No entanto, integrantes do PT expressam a necessidade de um ministro com forte articulação congressual, uma vez que a aprovação de parte da agenda governista pode ser complexa. Nesse contexto, Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, surge como outra opção. O partido o vê como um perfil capaz de aliar formação técnica, experiência de mercado e um temperamento conciliador. Contudo, a transição de um governo estadual recém-conquistado e sua relativa inexperiência em finanças federais e diálogo com o Congresso são pontos de atenção destacados na análise.

Dario Durigan, atual ministro da Fazenda, tem sido mais frequentemente mencionado para comandar um banco público, com a avaliação de que a Fazenda demandará uma figura com maior capital político para interagir com o Legislativo. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, por sua vez, é considerado uma opção improvável para a Fazenda devido ao desgaste em sua relação com o Palácio do Planalto em 2026, especialmente no que tange à condução da política de juros.

Para o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), a permanência de Bruno Moretti é vista como provável. Ele se aproximou do presidente Lula desde abril e durante a campanha eleitoral, participando ativamente da articulação de medidas que impactaram positivamente a popularidade presidencial. Sua manutenção sinalizaria continuidade em aspectos da política econômica, mesmo com possíveis mudanças na Fazenda. De forma mais ampla, o banco projeta um ministério pragmático, com espaço para o Centrão e sem guinadas profundas na orientação econômica do mandato.

No campo fiscal, a equipe econômica atual defende a implementação de medidas de ajuste no curto prazo, independentemente de quem ocupe a Fazenda. A principal iniciativa apontada pelo BTG é um projeto de lei complementar que concederia ao governo maior flexibilidade para buscar o centro da meta de resultado primário, em vez de se limitar ao piso da banda da meta. Essa mudança permitiria ampliar o volume de despesas sujeitas a contingenciamento – bloqueio de gastos para adequar o orçamento – facilitando o cumprimento dos objetivos fiscais e abrindo caminho para uma melhora gradual do resultado primário. O governo visa um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, com a meta de médio prazo de 1,5% do PIB até 2030.

Contudo, propostas fiscais mais amplas, como a redução do limite de crescimento real das despesas no arcabouço fiscal (atualmente em até 2,5% ao ano) ou alterações nas regras de valorização do salário mínimo e nos pisos constitucionais de saúde e educação, são consideradas de baixa probabilidade de avanço imediato. Tais medidas impactam despesas de grande peso orçamentário e alta sensibilidade política, exigindo negociações complexas com o Congresso e enfrentando resistências dentro da própria base governista. O cenário projetado é de uma estratégia em duas fases: primeiro, ajustes na execução orçamentária para melhorar o resultado fiscal; depois, reformas mais profundas, dependendo da vontade política e da nova equipe econômica.

A composição política do governo também deverá refletir a força dos principais aliados de Lula. O senador Camilo Santana, ex-ministro da Educação, está fortalecido e é cotado para a Casa Civil, sendo inclusive mencionado como um possível nome para a sucessão presidencial em 2030. Fernando Haddad, embora tenha sofrido uma derrota eleitoral em São Paulo, deve manter uma posição relevante na Esplanada devido à sua relação histórica e lealdade ao presidente, com o Ministério da Justiça sendo uma das possibilidades. Essas escolhas detalharão como o poder será distribuído entre os aliados tradicionais do PT e figuras com maior capacidade de articulação política.

A avaliação do BTG Pactual indica que o próximo governo buscará um equilíbrio entre expandir sua base política, manter a orientação econômica atual e implementar medidas pontuais para sanear as contas públicas. Embora haja reconhecimento da necessidade de ajuste fiscal, a preocupação em honrar os compromissos de campanha pode limitar o alcance das ações no curto prazo, evitando o que o banco chama de “estelionato eleitoral”. O desafio de Lula será harmonizar a recuperação da confiança dos investidores com a preservação de acordos políticos e sociais. A definição do ministro da Fazenda será um passo importante, mas o sucesso dependerá, sobretudo, da capacidade do governo de construir maioria no Congresso e efetivar suas propostas fiscais. Por enquanto, o BTG prevê mudanças graduais, intensa negociação política e pouca probabilidade de uma revisão profunda das regras fiscais nas semanas iniciais do novo mandato.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/com-alckmin-fonteles-e-galipolo-entre-os-cotados-para-a-fazenda-ajuste-fiscal-deve-comecar-em-breve-diz-btg/