A paciência de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e pré-candidato a deputado federal, chegou ao limite. Em um desabafo carregado de frustração, ele cobrou publicamente que o diretório estadual do partido em Goiás defina de uma vez por todas o nome para a disputa ao governo do estado. Para Delúbio, a chave da decisão está nas mãos da deputada federal Delegada Adriana Accorsi, presidente do PT-GO.
Em entrevista por telefone, Delúbio lamentou a indefinição e o que chamou de “fofocas” sobre uma suposta tentativa dele de apressar o processo para benefício próprio. “Quem é do diretório estadual é ela, quem é presidente do PT é ela. Ela define o que ela quer fazer”, cutucou Delúbio, citando uma declaração anterior de Accorsi ao jornal O Popular.
A poucos meses das eleições, a falta de um nome tem gerado uma “situação difícil”, segundo o sindicalista. Ele reforça que o PT e sua federação possuem um tempo de televisão considerável, o segundo maior em Goiás, e que desperdiçar essa vantagem com a indefinição é um erro.
A longa lista de cotados e o tempo que não para
A busca por um candidato na chapa majoritária do PT-GO, seja para o governo ou para o Senado, tem sido uma verdadeira saga. Delúbio relembrou uma lista de nomes que foram cogitados e depois descartados ao longo dos meses.
Desde o ano passado, a discussão passou por figuras como Olavo Noleto, Angelita (ex-reitora da UFG), Valério Luiz (advogado), Cláudio Curado (jornalista) e Jerônimo (ex-reitor da UFG). Até Isaura Lemos (ex-deputada estadual), que saiu do PC do B para o PSB, foi mencionada. O ex-deputado estadual Luiz César também se colocou à disposição, mas não seguiu adiante.
Delúbio citou que até nomes de outros partidos, como o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e a vereadora Aava Santiago (PSB), chegaram a ser sondados em algum momento, mas as conversas não avançaram. “O diretório já teve oportunidade, desde agosto do ano passado que já foi colocado pra tomar uma decisão e o diretório não toma posição”, afirmou, ressaltando a urgência da definição.
A vez de Rio Verde? Produtor rural avalia convite
O nome mais recente na mesa é o do produtor rural Flávio Faedo, de Rio Verde. Delúbio vê a sugestão com bons olhos, mas com ressalvas. “É uma boa sugestão, mas o diretório tem que sentar e falar: ‘É o candidato. Vai ser ele’, e vamos que vamos”, disse. Ele garantiu seu apoio caso Faedo aceite a missão.
Faedo, por sua vez, confirmou que está em fase de conversas e avaliações. Ele tem dialogado com sindicalistas do agronegócio e outros produtores da região para medir o apoio e deve tomar uma decisão esta semana. O produtor reconheceu a ponderação do deputado federal Rubens Otoni, que havia reclamado da falta de interesse de Faedo. “Nunca tinha recebido um convite de tamanha responsabilidade, e as avaliações têm que ser feitas”, explicou Faedo.
Boatos e mágoas nos bastidores
Questionado sobre rumores de que estaria pressionando Adriana Accorsi a abrir mão da reeleição na Câmara para disputar o governo – o que, supostamente, aumentaria suas próprias chances de eleição –, Delúbio desqualificou as informações. Para ele, tudo não passa de “fofoca”, um “boato espalhado nas redações e jornais” de origem incerta.
O sindicalista sinalizou que a especulação gerou certa mágoa, lembrando seu histórico de apoio e respeito às candidaturas da deputada federal. Delúbio reitera que sua única intenção é que o PT-GO defina um rumo, seja qual for o nome escolhido, para que o partido possa, de fato, construir uma campanha no estado.
Fonte: https://diariodegoias.com.br



