Petróleo opera em baixa com foco em diplomacia no Oriente Médio e riscos de abastecimento

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Os preços do petróleo registraram queda nesta segunda-feira, revertendo parte dos ganhos expressivos da semana passada que levaram as cotações a patamares próximos das máximas em seis meses. O recuo é impulsionado por expectativas de um alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, embora a persistência de ataques contra a Arábia Saudita, um dos principais produtores globais, mantenha o mercado em estado de alerta sobre a segurança do abastecimento.

Por volta das 5h36 (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, operava em baixa de US$ 2,03, ou 1,97%, sendo negociado a US$ 101,20 por barril. Já o Brent, cotado em Londres, registrava desvalorização de US$ 1,80, ou 1,54%, atingindo US$ 114,90. Na sessão de sexta-feira, os preços haviam disparado quase US$ 3, impulsionados por ataques houthis na Arábia Saudita que acenderam preocupações com a oferta global. Ao final da semana, o Brent acumulou alta de 6%, enquanto o WTI subiu 2,3%.

A recente desvalorização reflete uma onda de otimismo em relação à redução das hostilidades no Oriente Médio. No domingo, mediadores do Catar foram a Teerã em uma iniciativa coordenada com os Estados Unidos para distensionar a situação regional. Além disso, autoridades de alto escalão da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, membros do Pacto de Meca, estão programadas para se encontrar hoje com representantes iranianos na capital do Irã. Este será o primeiro contato de alto nível desde que os ataques dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, à Arábia Saudita se tornaram um ponto crítico no conflito.

Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, especializada em análise do mercado de petróleo, comentou que “os temores de uma retomada das hostilidades militares no Oriente Médio, que impulsionaram grande parte da alta do petróleo na semana passada, diminuíram nesta manhã, mas esse alívio pode se mostrar temporário”. Ela ressaltou que o presidente Donald Trump não dissipou a expectativa do mercado de que ataques contra o Irã ainda possam ocorrer após as eleições legislativas de 3 de novembro, levando a uma “volatilidade elevada, com os riscos ainda inclinados para a alta”.

Apesar dos esforços diplomáticos em curso, os ataques não cessaram durante o fim de semana. Os houthis reivindicaram a autoria de investidas contra estações de bombeamento do oleoduto saudita Leste-Oeste e o aeroporto de Riade. A Arábia Saudita, por sua vez, informou ter interceptado mísseis e drones. O cenário de instabilidade é complexo, com as repercussões da “guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro”, ainda impactando o transporte marítimo comercial em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o estreito de Bab el-Mandeb, forçando empresas a se adaptar às interrupções.

Em uma movimentação estratégica para fortalecer a resiliência de sua cadeia de abastecimento na região, os ministros de Energia da Arábia Saudita e Singapura anunciaram que a estatal Saudi Aramco começará a armazenar petróleo bruto em Singapura a partir do segundo semestre de 2027. Priyanka Sachdeva, chefe de análise de mercado da Phillip Nova, avaliou que “embora os riscos para o abastecimento relacionados ao Estreito de Ormuz continuem firmemente presentes, a atual retração dos preços parece refletir mais ajustes de posições e gestão de riscos do que qualquer melhora significativa na situação subjacente do abastecimento”.

As preocupações com o abastecimento foram reforçadas pelo chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. Durante um evento do setor em Singapura, Birol declarou que não espera que os mercados de energia retornem, até 2027, às condições que precediam a guerra com o Irã, sinalizando um cenário de persistente incerteza.

Fonte original: https://www.moneytimes.com.br/petroleo-recua-apos-se-aproximarem-das-maximas-de-seis-meses-fets/