Recompra Global de Ações Salta 27% para US$ 572 Bilhões no 2º Trimestre de 2026; Tecnologia Lidera com Salesforce no Topo

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O volume global de recompra de ações por empresas registrou um salto expressivo no segundo trimestre de 2026, alcançando a marca de US$ 572 bilhões. Esse montante representa um aumento de 26,8% em comparação anual, conforme dados recentes do Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson, divulgados na última terça-feira (15). A novidade no cenário é a ascensão da Salesforce à liderança do ranking das maiores recompradoras, desbancando a Apple, que ocupava o posto por quatro trimestres consecutivos.

O ímpeto por trás desse crescimento foi a robusta rentabilidade observada nos setores de tecnologia e financeiro. A tecnologia, em particular, emergiu como a principal força motriz, superando as companhias financeiras ao contribuir com US$ 121,1 bilhões em recompras no período, contra US$ 104 bilhões do setor financeiro.

A mudança de guarda no topo do ranking marcou um período dinâmico. A Salesforce, que anteriormente estava fora das 20 maiores recompradoras, ascendeu à primeira posição. A Apple, que havia sido líder inconteste nos quatro trimestres precedentes, agora ocupa o segundo lugar. Completam as quatro primeiras posições a montadora japonesa Toyota e a gigante de semicondutores Nvidia. Um exame das 20 maiores empresas revela que sete das dez companhias que mais realizaram recompras pertencem aos setores de tecnologia ou financeiro, demonstrando a concentração do fenômeno. Juntas, as 20 empresas mais ativas foram responsáveis por US$ 176 bilhões, equivalente a 30,8% do total global estimado.

Analistas da Janus Henderson alertam para uma dinâmica interessante por trás desses números. Jane Shoemake, líder de CPM de Ações para a região EMEA na gestora, observa que grandes corporações de tecnologia estão investindo somas sem precedentes em infraestrutura de inteligência artificial, como data centers e capacidade de computação. Ao mesmo tempo, mantêm volumes elevados de recompras. Essa estratégia tem levado a uma redução no caixa líquido de algumas empresas, que já buscam o mercado de dívida, cenário que, segundo Shoemake, pode gerar tensões no médio prazo se os investimentos continuarem nesse ritmo. Ela acrescenta que, diante de crescentes necessidades de investimento, as recompras são frequentemente a primeira “alavanca” a ser ajustada pelas empresas, antes mesmo dos dividendos regulares.

Geograficamente, os Estados Unidos continuam a ser o epicentro das recompras, respondendo pela maior fatia, com US$ 302,1 bilhões. O Japão aparece em segundo, com US$ 36,3 bilhões, um valor aproximadamente três vezes maior que o restante da região Ásia-Pacífico. Canadá e Europa (excluindo Reino Unido) também apresentaram volumes consideráveis, com US$ 19,7 bilhões e US$ 19,6 bilhões, respectivamente, sendo a Alemanha o principal destaque europeu. Na América Latina, o Brasil se destacou, liderando a região com US$ 1,1 bilhão em recompras.

Apesar de algumas defasagens nos relatórios de dados por parte das empresas, a gestora projeta um cenário otimista para o ano. Para 2026, a Janus Henderson estima um crescimento de 7% a 8% nas recompras e de 5% a 6% nos dividendos, que alcançaram US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre, com a Saudi Aramco na liderança e a Nvidia entre as dez maiores pagadoras de dividendos.

Fonte original: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/recompras-de-acoes-disparam-27-e-somam-us-572-bi-veja-as-20-maiores-do-mundo/